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Atos 9:36 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E havia em Jope uma discípula chamada Tabita, que traduzido se diz Dorcas. Esta estava cheia de boas obras e esmolas que fazia. "

Atos 9:36

menu_book Versículo no contexto

34 E disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te dá saúde; levanta-te e faze a tua cama. E logo se levantou.

35 E viram-no todos os que habitavam em Lida e Sarona, os quais se converteram ao Senhor.

36 E havia em Jope uma discípula chamada Tabita, que traduzido se diz Dorcas. Esta estava cheia de boas obras e esmolas que fazia.

37 E aconteceu naqueles dias que, enfermando ela, morreu; e, tendo-a lavado, a depositaram num quarto alto.

38 E, como Lida era perto de Jope, ouvindo os discípulos que Pedro estava ali, lhe mandaram dois homens, rogando-lhe que não se demorasse em vir ter com eles.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos outro milagre que Pedro realizou para confirmar o evangelho, e este foi além do primeiro. Ele ressuscitou Tabita depois de ela já estar morta havia algum tempo. O relato começa com a sua vida, morte e caráter, porque o milagre foi realizado nela, não em uma desconhecida.

Tabita morava em Jope, uma cidade portuária no território da tribo de Dã, o mesmo lugar de onde Jonas embarcou para Társis, hoje chamada Jope. Seu nome era Tabita, um nome hebraico, e em grego Dorcas. Ambos os nomes significam corça, cerva, uma criatura dócil e agradável. Naftali é comparado a uma corça solta, que produz “belas palavras”, e uma esposa amável é comparada a uma “gazela graciosa” (Provérbios 5:19).

Ela era discípula, crente em Cristo e batizada. E mais: destacava-se por suas ações de bondade. Mostrava sua fé por meio de suas obras, e era “cheia de boas obras”, isto é, as fazia com frequência e em abundância. Seus pensamentos estavam ocupados em planejar o bem, e suas mãos estavam sempre em atividade. Ela havia aprendido a manter um curso constante de boas obras (Tito 3:8). Era como uma árvore carregada de frutos.

Muitos são cheios de boas conversas, mas vazios no que diz respeito à ajuda real. Tabita era praticante, não apenas faladora. Não se limitava a falar sobre generosidade; ela a vivia. Entre suas boas obras, ficava especialmente conhecida por seus atos de misericórdia. Não eram apenas atos de piedade, frutos da fé, mas também obras de caridade e bondade para com o próximo, que brotavam do amor ao semelhante e de um santo desapego deste mundo.

Observe que ela é elogiada não apenas pelas esmolas que dava, mas pelas obras de esmolas que fazia. Pessoas que não têm dinheiro para dar ainda podem praticar atos de bondade usando as mãos ou os pés para socorrer o pobre. E aqueles que não querem fazer um gesto de caridade, ainda que digam que o fariam, na verdade não dariam nada, mesmo que fossem ricos. A expressão “esmolas que fazia” mostra o quanto ela se empenhava nisso. Tudo o que podia fazer nesse tipo de serviço, fazia com todas as suas forças e perseverava. Não eram apenas coisas que ela planejava ou prometia. Eram coisas que ela de fato executava e concluía (2 Coríntios 8:11; 2 Coríntios 9:7).

Esta é a vida e o caráter de uma discípula, e deveria ser o caráter de todos os discípulos de Cristo. Se dermos muito fruto, então somos verdadeiramente seus discípulos (João 15:8).

Ela morreu ainda em plena utilidade. “Aconteceu naqueles dias que, enfermando ela, morreu.” Deus prometeu àqueles que cuidam dos pobres, não que jamais ficarão enfermos, mas que o Senhor os sustentará no leito da enfermidade, ao menos fortalecendo a alma e tornando o leito mais leve na doença (Salmo 41:1, 3). Eles não podem esperar nunca morrer, pois homens e mulheres misericordiosos também são tirados deste mundo, e Tabita foi uma deles. Mas podem confiar que acharão misericórdia junto ao Senhor naquele dia (2 Timóteo 1:18).

Seus amigos não a sepultaram logo, como era costume, porque esperavam que Pedro viesse e a trouxesse de volta à vida. Lavaram o corpo conforme o costume, provavelmente com água morna, o que deixaria evidente que ela estava realmente morta. Usaram os meios comuns e viram que não havia mais vida. Eles a estenderam em suas vestes fúnebres num quarto alto; o doutor Lightfoot supôs que talvez fosse a sala pública de reunião dos crentes daquela cidade. Colocaram-na ali para que, se Pedro viesse, pudesse ressuscitá-la ali de modo mais solene.

Seus amigos cristãos enviaram então um recado a Pedro com urgência, não para que ele viesse ao funeral, mas, se possível, para impedi-lo. Lida, onde Pedro estava hospedado, ficava perto de Jope, e os crentes de lá tinham ouvido que ele havia levantado Enéias de seu leito de enfermidade. Por isso mandaram dois homens, tanto para tornar o pedido mais respeitoso, como para urgir que ele não demorasse. Não lhe disseram o motivo exato do chamado, talvez para que ele não recusasse por humildade, se o pedido parecesse grande demais. A amiga estava morta, e já era tarde demais para chamar um médico, mas não tarde demais para chamar Pedro. Um médico depois da morte não faria sentido, mas um apóstolo depois da morte não era impossível.

Quando Pedro chegou, encontrou os que ficaram em uma postura que mostrava tanto tristeza quanto fé. Ele foi com os homens, embora eles não tivessem explicado a razão, porque estava disposto a ir aonde houvesse probabilidade de fazer algum bem. Ministros não devem se queixar se as pessoas frequentemente pedem sua ajuda, na medida de suas forças, pois o grande apóstolo se fez servo de todos (1 Coríntios 9:19).

Ele encontrou o corpo estendido no quarto alto, cercado de viúvas, provavelmente mulheres pobres da comunhão da igreja. Elas faziam bem em honrar alguém que era verdadeiramente digna de louvor, e o faziam de modo modesto e sem lisonja. O elogio a Tabita não era feito em discursos nem em poemas, mas mostrado nas coisas que ela havia feito. As viúvas exibiam as túnicas e vestidos que ela lhes havia feito enquanto vivia. Jó dissera certa vez que os pobres o bendiziam porque se aqueciam com a lã de suas ovelhas (Jó 31:20). Do mesmo modo, o crédito de Tabita depois da morte é que as costas daquelas viúvas a louvavam pelas roupas que ela lhes havia confeccionado.

Os melhores elogiados são aqueles cujas próprias obras falam por eles. É muito mais honroso vestir viúvas necessitadas com roupas úteis para o dia e para a noite, que elas lembrarão com oração, do que vestir servos ociosos com fardas custosas, que talvez até amaldiçoem os que os vestem (Eclesiastes 7:21). Pessoas sábias e boas darão mais valor a esse tipo de bondade, porque a bondade é verdadeira grandeza e é o que mais importará no fim.

Sem dúvida houve outras obras de caridade em sua vida, mas esta é destacada agora. Parece que ela própria usava as mãos para fazer túnicas e vestidos para viúvas pobres. Essas mulheres talvez ganhassem o suficiente para se alimentar, mas não para comprar roupa. Era uma caridade excelente: ver o nu e cobri-lo (Isaías 58:7), em vez de apenas dizer “aquecei-vos” (Tiago 2:15, 16).

Os pobres demonstraram sincera gratidão pela bondade dela. Mostraram as túnicas, e não tiveram vergonha de reconhecer que deviam a ela as roupas que vestiam. Quem recebe ajuda não deve escondê-la de tal forma que nunca agrade a quem ajudou. Os pobres que recebem esmolas não são os que mais precisam ter cuidado de mantê-las em segredo. Aqueles que se queixam de que os ricos são sem bondade também deveriam perguntar se eles mesmos não são ingratos e sem reconhecimento.

Ao mostrarem as túnicas e vestidos que Dorcas tinha feito, também davam testemunho de sua diligência. Ela era como a mulher virtuosa de Provérbios, que trabalha com as mãos, põe as mãos no fuso e depois estende a mão ao pobre, e ainda estende as mãos ao necessitado com o que produziu (Provérbios 31:19-22). Quando Deus e os pobres já receberam o que lhes é devido, ela tem também suas próprias vestes, até mesmo de linho fino e púrpura.

Elas também sentiam profundamente a perda dela. As viúvas “estavam ali chorando” diante de Pedro. Quando pessoas misericordiosas são tiradas, isso deve ser sentido com pesar, especialmente por aqueles a quem ajudavam de maneira especial. Não precisavam chorar por ela, pois fora retirada de aflições vindouras, descansa de seus trabalhos, e suas obras a seguem. Mas choravam por si mesmas e por seus filhos, que logo sentiriam a falta de uma mulher tão boa.

Perceba que elas se lembravam do bem que Dorcas fizera enquanto ainda estava com elas, mas, agora que havia partido, a dor era intensa. Os pobres sempre têm consigo os caridosos, se estes de fato o são. Devemos fazer bom uso dos auxiliares que estão conosco por pouco tempo, porque não ficarão para sempre. Depois que partem, voltamos a pensar no que fizeram enquanto estavam entre nós.

Parece que as viúvas choravam diante de Pedro também na esperança de que, se ele pudesse fazer algo, teria compaixão delas e lhes devolveria aquela que tivera compaixão delas. Quando pessoas caridosas morrem, ninguém pode orar para que voltem à vida. Mas quando adoecem, a gratidão deve nos levar a orar por sua restauração, se for da vontade de Deus, para que aqueles cuja morte mal se pode suportar sejam poupados para continuar vivendo.

A ressurreição de Dorcas aconteceu em privado. Ela estava no quarto alto onde os crentes se reuniam, e provavelmente havia uma multidão ao redor do corpo, esperando para ver o que aconteceria. Mas Pedro mandou que todos saíssem, exceto talvez alguns parentes próximos ou líderes da igreja que pudessem orar com ele. Nisso ele seguiu o exemplo de Cristo, que fizera o mesmo com a filha morta do chefe da sinagoga (Mateus 9:25). Pedro evitou tudo o que pudesse parecer orgulho ou exibição. Eles tinham ido para assistir, mas ele não tinha ido para ser visto.

Ele mandou que todos saíssem, para poder derramar sua alma diante de Deus em oração, sem qualquer perturbação. Esse milagre foi maior do que a cura de Eneias, em que a oração só é sugerida, sem ser descrita. Aqui, Pedro se dirige a Deus com oração solene, assim como Cristo fez quando ressuscitou Lázaro. Mas Cristo orou com a autoridade do Filho, que dá vida a quem quer. Pedro orou como servo sob ordens; por isso se ajoelhou e orou.

Então veio a palavra de vida. Pedro se voltou para o corpo, o que mostra que, enquanto orava, ele havia se afastado dele. Ele não quis que a visão da morte enfraquecesse sua fé. Desviou o olhar, ensinando-nos, como Abraão, a crer esperando contra a esperança e a não deixar que a dificuldade visível governe o nosso modo de pensar (Romanos 4:19-20). Depois de orar, ele se voltou novamente e falou em nome de seu Mestre, seguindo o exemplo dEle: “Tabita, levanta-te”. Essa palavra vinha com poder, e ela voltou à vida e abriu os olhos, que a morte havia fechado.

Isso também ilustra a vivificação de almas mortas para a vida espiritual. O primeiro sinal de vida é a abertura dos olhos do entendimento (Atos 26:18). Quando Dorcas viu Pedro, sentou-se, provando assim que estava realmente viva. Depois, em (Atos 9:41), ele a tomou pela mão e a levantou, não porque lhe faltasse força, mas para recebê-la de volta à vida e, por assim dizer, dar-lhe a destra de comunhão entre os vivos.

Pedro então chamou os santos e as viúvas, que todos choravam a sua morte, e a apresentou viva diante deles, para grande consolo, especialmente das viúvas, que sentiam mais profundamente a sua perda (Atos 9:41). Nisso ele seguiu o exemplo de Elias, Eliseu e de Cristo, que em seu tempo devolveram vida aos mortos e entregaram um filho vivo à sua mãe (1 Reis 17:23; 2 Reis 4:36; Lucas 7:15). Nada traz alegria maior do que vida vinda dentre os mortos.

Esse milagre produziu um bom efeito. Muitos se convenceram, por meio dele, de que o evangelho era verdadeiro, que vinha do céu e não dos homens, e creram no Senhor (Atos 9:42). A notícia se espalhou por toda Jope. Sendo Jope um porto marítimo, a notícia rapidamente se propagaria dali para outros países. Alguns a ignoraram, mas muitos foram transformados por ela. Esse era o propósito dos milagres: confirmar a mensagem de Deus.

Pedro também foi levado a permanecer algum tempo naquela cidade (Atos 9:43). Vendo que ali havia uma porta aberta de oportunidade, ficou muitos dias, até ser enviado a outro lugar e depois chamado para outra obra. Ele não ficou hospedado na casa de Dorcas, embora ela tivesse sido rica, para que ninguém pensasse que ele buscava sua própria honra. Em vez disso, hospedou-se com Simão, um curtidor de couro, um trabalhador comum. Isso mostrava sua humildade e disposição em conviver com gente simples, como é ensinado em (Romanos 12:16).

Embora Pedro parecesse estar escondido na casa de um pobre curtidor à beira-mar, dali Deus o chamou depois para uma obra importante, registrada no capítulo seguinte. Os que se humilham serão exaltados.

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