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2 Samuel 17:1 - Significado e aplicação

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Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Disse mais Aitofel a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me levantarei, e perseguirei a Davi esta noite. "

2 Samuel 17:1

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1 Disse mais Aitofel a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me levantarei, e perseguirei a Davi esta noite.

2 E irei sobre ele, pois está cansado e frouxo de mãos; e o espantarei, e fugirá todo o povo que está com ele; e então ferirei somente o rei.

3 E farei tornar a ti todo o povo; pois o homem a quem tu buscas é como se tornassem todos; assim todo o povo estará em paz.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Absalão agora tinha o domínio tranquilo de Jerusalém. O palácio real era seu, bem como os assentos de juízo, até mesmo os tronos da casa de Davi. Seu bom pai havia reinado em Hebrom, e apenas sobre a tribo de Judá, por mais de sete anos, e não tinha se apressado em destruir o seu rival. O governo de Davi repousava sobre a promessa de Deus, e ele tinha certeza de que essa promessa se cumpriria no tempo de Deus, por isso esperou pacientemente enquanto isso.

Mas Absalão, esse jovem, não só correu de Hebrom para Jerusalém, como também ficou impaciente ali até destruir o próprio pai. Ele não conseguia se satisfazer com o trono se não tivesse também a vida do pai. Seu governo estava baseado no pecado; por isso parecia instável e imaginava que precisava recorrer à violência para tudo. Não é tão espantoso que um homem perverso como Absalão procure tirar a vida de um pai tão bom, pois há monstros na natureza humana. Mas é muito chocante que o povo de Israel, que havia recebido tantos benefícios de Davi, se una a ele nessa tentativa. Ainda assim, seus pais já haviam muitas vezes se rebelado contra Moisés. Os melhores pais e os melhores governantes não deveriam se surpreender se aqueles que deveriam apoiá‑los, em vez disso, lhes causarem dor, lembrando que tipo de filhos e de súditos o próprio Davi teve.

Davi e todos os que permaneceram fiéis a ele precisavam ser destruídos. Pelo que se percebe, isso foi decidido sem oposição alguma. Ninguém ousou lembrar o valor de Davi nem o grande bem que ele fizera à nação. Ninguém sequer se atreveu a perguntar: “Por quê? Que mal ele fez para perder a coroa, quanto mais a cabeça?” Ninguém ousou sugerir que o exílio seria suficiente por enquanto, ou que mensageiros fossem enviados para pedir‑lhe que renunciasse ao trono. Como ele deixara a cidade tão calmamente, talvez julgassem que seria facilmente persuadido. Pouco tempo antes, o próprio Absalão fugira por causa de um crime, e Davi se contentara em deixá‑lo no exílio, embora Absalão merecesse a morte. Davi ainda chorara por ele e o desejara de volta. No entanto, Absalão estava tão totalmente sem afeto natural que ardia de sede pelo sangue do próprio pai. Estava fora de questão: Davi tinha de ser destruído. A única questão era como.

Aitofel aconselhou que perseguissem Davi imediatamente, naquela mesma noite, com um exército leve e veloz, que ele próprio comandaria. Argumentou que deveriam ferir somente o rei e dispersar suas forças; então o povo que agora apoiava Davi naturalmente se inclinaria a favor de Absalão. Assim, não haveria uma guerra longa, como a que houve entre a casa de Saul e a casa de Davi (2 Samuel 17:1-3). Isso mostra que Absalão havia claramente estabelecido como alvo a vida de Davi, e Aitofel concordou com ele. O pastor seria ferido, e as ovelhas se dispersariam e se tornariam presa fácil do lobo.

Desse modo, ele procurava tornar a guerra curta, atacando nem pequenos nem grandes, mas somente o rei de Israel. Também buscava encerrá‑la rapidamente por meio de um ataque imediato. Nada poderia ser mais perigoso para Davi do que esse plano. Era tristemente verdade que Davi estava cansado e com as mãos enfraquecidas, e que até uma coisa pequena poderia assustá‑lo. Caso contrário, não teria abandonado sua casa ao primeiro rumor da rebelião de Absalão. Era bem provável que um ataque repentino, especialmente à noite, lançasse em confusão aquela pequena tropa. Então seria fácil atingir somente o rei, e o assunto estaria encerrado. Toda a nação ficaria sob Absalão e, dizia Aitofel, todo o povo estaria em paz. Vê‑se como usurpadores chamam uma ruína geral de “paz geral”. O palácio do diabo também está “em paz”, enquanto ele, como homem forte armado, o guarda. Compare esse plano com o de Caifás contra o Filho de Davi, Jesus Cristo, para esmagar sua causa destruindo a sua pessoa: “Convém que um homem morra pelo povo” (João 11:50). “Matemos o herdeiro, e a herança será nossa” (Mateus 21:38). Mas o conselho de ambos foi reduzido à loucura.

Ainda assim, os filhos da luz podem aprender sabedoria com os filhos deste mundo em sua geração. Tudo quanto nossa mão encontrar para fazer, devemos fazê‑lo sem demora e com todas as nossas forças. É prudente ser ativo e pronto, e não desperdiçar tempo, especialmente na guerra espiritual. Se Satanás foge de nós, devemos continuar pressionando a vantagem.

Os que conspiraram contra reis geralmente procuraram manter as aparências, falando apenas contra maus conselheiros e pedindo que eles fossem chamados a prestar contas, dizendo: “O rei em si não pode fazer o mal; são os seus conselheiros.” Mas a maldade descarada de Absalão mirava diretamente no rei, e só nele. Espantosamente, as palavras “ferirei somente o rei” agradaram a Absalão (2 Samuel 17:4). Ele já não tinha nenhum senso de vergonha, nenhuma virtude, nenhum recuo diante de um plano tão cruel e monstruoso. Que bem consegue resistir ao ardor de uma ambição desenfreada?

Husai então aconselhou que não corressem atrás de Davi, mas que tomassem tempo, reunissem toda a força e então o esmagassem pelo número, em vez de tentar apanhá‑lo de surpresa como Aitofel sugerira. Husai, na verdade, queria favorecer Davi e a sua causa. Ele desejava tempo para enviar aviso a Davi sobre o que se tramava, para que Davi pudesse reunir um exército e passar para as regiões além do Jordão, onde Absalão provavelmente tinha menos influência por ficarem mais distantes. Naquele momento, nada ajudaria mais a Davi do que ganhar tempo para agir; por isso, Husai insistiu com Absalão para não fazer nada às pressas, mas agir com cautela e garantir a vitória por meio da superioridade de forças.

Absalão deu a Husai a oportunidade de aconselhá‑lo. Todos os anciãos de Israel aprovaram o conselho de Aitofel, mas Deus inclinou o coração de Absalão de modo que ele não o executasse até ter ouvido Husai (2 Samuel 17:5). “Ouçamos o que ele tem a dizer.” Absalão imaginou que estava sendo sábio, porque duas cabeças pensam melhor que uma. Mas Deus apanha os sábios na própria astúcia. Veja a anotação do sr. Poole a esse respeito.

Husai apresentou razões muito convincentes para o seu ponto de vista. Ele argumentou contra o plano de Aitofel e procurou mostrar o perigo de segui‑lo. Com modéstia e profundo respeito pela fama de Aitofel, pediu licença para discordar dele (2 Samuel 17:7). Reconheceu que o conselho de Aitofel costuma ser o melhor e digno de confiança. Mas, com todo o respeito ao nobre conselheiro, entendia que, desta vez, o conselho não era bom. Não era seguro arriscar assunto tão grande com uma força tão pequena e um ataque tão rápido, como Aitofel sugerira, lembrando, inclusive, a derrota de Israel diante de Ai (Josué 7:4). Muitas vezes, desprezar o inimigo traz resultados desastrosos. Vê‑se quão habilmente Husai argumentou.

Ele insistiu que Davi era um grande soldado, homem de habilidade, coragem e longa experiência. Todos sabiam disso e o reconheciam, até o próprio Absalão: “Teu pai é homem de guerra” (2 Samuel 17:8), “homem valente” (2 Samuel 17:10). A retirada de Davi de Jerusalém deveria ser atribuída, não ao medo, mas à prudência. Aitofel havia julgado Davi com precipitação, como se ele fosse fraco e esgotado.

Husai também destacou que os servos de Davi, embora poucos, eram homens valentes (2 Samuel 17:8), homens de coragem (2 Samuel 17:10), famosos por seu valor e treinados nos caminhos da guerra. Aitofel, que talvez passasse mais tempo com a toga do que com a espada, não seria páreo para eles. Um deles poderia perseguir mil. Além disso, lutariam cheios de indignação contra Absalão, que havia provocado todo aquele mal. Estavam com o coração inflamado e pelejariam com bravura, de modo que não haveria maneira segura de resistir a eles, especialmente do lado de Absalão, cuja tropa era em grande parte composta de soldados inexperientes. Husai fez os homens de Davi parecerem tão perigosos quanto Aitofel os havia feito parecer fracos.

Ele sugeriu ainda que Davi e alguns dos seus poderiam estar escondidos em uma emboscada, numa cova ou em algum outro lugar oculto, prontos para atacar o exército de Absalão antes que este se apercebesse. Mesmo uma pequena derrota lançaria pânico no restante do exército. Ao mesmo tempo, a própria consciência deles os acusaria de traição contra aquele que sabiam ser não só o rei escolhido por Deus, mas também um homem segundo o coração de Deus (2 Samuel 17:9). A notícia de uma mortandade entre os homens de Absalão logo se espalharia, e todos fugiriam para salvar a própria vida. Até Aitofel, que naquele momento parecia ousado como um leão, perderia completamente o ânimo. Em resumo, Husai mostrou que lidar com Davi e seus homens seria muito mais difícil do que Aitofel supunha. Se Aitofel falhasse, todos eles seriam derrotados.

Então Husai apresentou seu próprio conselho e o explicou. Ele sugeriu exatamente aquilo que sabia que agradaria ao espírito orgulhoso e cheio de importância própria de Absalão, mesmo sabendo que isso não seria realmente útil à causa dele. Primeiro, disse que todo o Israel deveria ser ajuntado, isto é, os homens de guerra de todas as tribos. Absalão ficaria encantado só de vê-los todos reunidos debaixo do seu comando, como se todos estivessem firmemente ao seu lado. Em seguida, Husai aconselhou que o próprio Absalão fosse à batalha, como se fosse um guerreiro melhor do que Aitofel e mais apto a liderar e receber a honra da vitória. Ele também deu a entender que Aitofel havia desprezado Absalão ao oferecer-se para ir sem ele. É fácil enganar pessoas orgulhosas, lisonjeando-as e alimentando seu orgulho.

Husai ainda apresentou um plano que parecia garantir o sucesso sem risco. Se ajuntassem o grande exército que imaginavam reunir, então, onde quer que encontrassem Davi, poderiam esmagá-lo. Se Davi estivesse em campo aberto, deveriam cair sobre ele como o orvalho que cobre o chão e destruir todos os homens que estivessem com ele (2 Samuel 17:12). Absalão pode ter gostado da ideia de matar os seguidores de Davi, pois talvez nutrisse antipatia especial contra alguns deles, mais até do que apreciava o plano de Aitofel de atingir apenas o rei. Assim, Husai conquistou Absalão, apelando tanto para o seu desejo de vingança quanto para o seu orgulho. Se Davi estivesse em alguma cidade, também não deveriam temê-lo ali, pois teriam homens em número suficiente, se necessário, até para arrastar a cidade inteira para dentro do rio com cordas (2 Samuel 17:13). Embora essa ideia fosse estranha, sua ousadia e exagero a tornavam atraente, e muitos a aprovavam porque agradava à imaginação.

Por artifícios como esses, Husai ganhou não só o favor de Absalão, mas também o pleno acordo de todo o conselho de guerra. Todos disseram que o conselho de Husai era melhor do que o de Aitofel (2 Samuel 17:14). Aqui se vê quanto pode realizar o planejamento humano. Se Husai não estivesse ali, o conselho de Aitofel certamente teria prevalecido. Embora todos tivessem falado, nada poderia ter sido mais vantajoso para os interesses de Absalão do que aquilo que Aitofel propôs. Mesmo assim, a atuação cuidadosa de Husai levou todos para o seu lado, e nenhum deles percebeu que, na verdade, ele falava em favor de Davi. Assim, todos repetiram as suas palavras. Isso mostra como os desavisados são facilmente enganados pelos astutos, como os poderosos muitas vezes se usam uns aos outros e como intrigas e manobras podem influenciar cortes e conselhos.

Vemos também quanto mais pode a providência de Deus. Husai empregou habilidade, mas o resultado é atribuído a Deus, que operou na mente dos envolvidos. O Senhor havia decidido frustrar o bom conselho de Aitofel. Isso é consolo para todos os que temem a Deus. Ele inclina corações para onde quer, como ribeiros de águas, mesmo quando as pessoas não percebem o seu propósito. Ele está no meio dos poderosos, governa todos os conselhos e tem a última palavra em cada plano. Ele zomba dos projetos humanos levantados contra o seu ungido.

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