Versículo em destaque
2 Reis 2:19 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que é boa a situação desta cidade, como o meu senhor vê; porém as águas são más, e a terra é estéril. "
2 Reis 2:19
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
17 Mas eles insistiram com ele, até que, constrangido, disse-lhes: Enviai. E enviaram cinqüenta homens, que o buscaram três dias, porém não o acharam.
18 Então voltaram para ele, pois ficara em Jericó; e disse-lhes: Eu não vos disse que não fôsseis?
19 E os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que é boa a situação desta cidade, como o meu senhor vê; porém as águas são más, e a terra é estéril.
20 E ele disse: Trazei-me um prato novo, e ponde nele sal. E lho trouxeram.
21 Então saiu ele ao manancial das águas, e deitou sal nele; e disse: Assim diz o Senhor: Sararei a estas águas; e não haverá mais nelas morte nem esterilidade.
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Eliseu tinha, nesse sentido, porção dobrada do espírito de Elias, porque realizou mais milagres do que Elias; alguns chegam a contá‑los como exatamente o dobro. Nestes versículos são registrados dois: um de misericórdia para Jericó e outro de juízo sobre Betel (Salmo 101:1).
Primeiro, há a bênção sobre as águas de Jericó, que foram saradas. Jericó fora reedificada em desobediência ao mandado de Deus, apesar do aviso, e ao custo da vida dos filhos do construtor. Mesmo assim, depois de edificada, Deus não ordenou que fosse destruída de novo, nem proibiu que seus profetas ou seu povo morassem ali. Mesmo dentro daqueles muros levantados em pecado, encontramos um lugar onde a piedade floresce. Costuma‑se dizer que os tolos constroem casas para os sábios morarem. De certo modo, a riqueza do pecador deu morada ao justo. Encontramos até Cristo em Jericó (Lucas 19:1).
Eliseu foi para lá a fim de fortalecer os discípulos com um relato mais completo da subida de Elias ao céu, melhor do que podiam dar os homens que apenas observaram de longe. Ficou em Jericó enquanto os cinquenta homens procuravam Elias. Os homens de Jericó trouxeram‑lhe seu problema, e é assim que profetas fiéis devem ser procurados enquanto ainda os temos conosco. É sabedoria aproveitar‑se do ministério deles enquanto sua luz permanece entre nós.
Eles não haviam feito essa petição a Elias, talvez porque ele fosse mais difícil de abordar do que Eliseu. Mas agora, talvez por causa da escola de profetas em sua cidade, haviam mudado. O lugar era aprazível e tinha bela vista, mas as águas eram más e a terra estéril. De que adiantava a paisagem, se não podiam beber água saudável nem produzir alimento? A água é uma misericórdia comum, e devemos valorizá‑la pensando que perda seria se fosse ruim ou faltasse. Alguns entendem que só parte do território em volta de Jericó era estéril e tinha águas ruins, talvez justamente a parte onde moravam os filhos dos profetas, aqui chamados de homens da cidade.
Eliseu resolveu depressa o problema deles. Os profetas devem procurar deixar cada lugar por onde passam melhor do que o encontraram. Devem esforçar‑se para adoçar espíritos amargos e tornar almas estéreis frutíferas, pelo uso correto da Palavra de Deus. Eliseu curaria a água deles, mas eles precisavam trazer‑lhe sal em uma tigela nova (2 Reis 2:20). O sal podia parecer adequado para essa obra, mas o que uma quantidade tão pequena poderia fazer? E que diferença faria ser uma tigela nova? Contudo, isso servia para provar a fé e a obediência deles. As obras da graça de Deus não são produzidas por nosso próprio poder, mas pelo uso dos meios que ele determina.
Ele lançou o sal na fonte, e a fonte, bem como a terra que ela regava, foram saradas. Da mesma maneira, o caminho para reformar a vida das pessoas é renovar o coração delas. Elas precisam ser temperadas com o sal da graça, pois do coração procedem as saídas da vida. Tornando boa a árvore, o fruto será bom. Purificando o coração, as mãos também serão limpas.
Eliseu não atribuiu essa obra ao seu próprio poder. Ele declarou: “Assim diz o Senhor: sanei estas águas.” Ele era apenas o instrumento que Deus escolheu para transmitir o poder de cura. Ao mostrar‑lhes essa bondade com um “Assim diz o Senhor”, tornava‑os mais dispostos, mais tarde, a receber com as mesmas palavras uma advertência, correção ou mandamento. Se ele podia socorrê‑los em nome de Deus, então, em nome de Deus, deviam permitir que ele os ensinasse e guiasse. A partir de então, aquelas palavras de Eliseu, “Assim diz o Senhor”, teriam grande peso para eles.
A cura foi duradoura, não apenas momentânea, pois as águas foram saradas até aquele dia (2 Reis 2:22). O que Deus faz permanece para sempre (Eclesiastes 3:14). Quando ele cura uma alma pelo seu Espírito, não há mais morte nem esterilidade. A natureza da coisa é mudada, de modo que aquilo que era inútil e prejudicial torna‑se útil e agradável.
Em segundo lugar, há a maldição sobre os meninos de Betel, que os destruiu. E não foi uma maldição sem motivo. Em Betel também havia uma escola de profetas, e para lá foi Eliseu nessa sua primeira viagem. É provável que os alunos o tenham recebido com respeito, mas o povo da cidade o insultou. Um dos bezerros de Jeroboão estava em Betel, e eles se orgulhavam disso e se apegavam ao ídolo, odiando quem os repreendesse. A lei não lhes permitia fechar aquela escola piedosa, mas provavelmente zombavam dos profetas enquanto andavam pelas ruas, criando apelidos para ridicularizá‑los, afastar os jovens deles e, se pudessem, expulsá‑los da cidade.
Se essa tivesse sido a primeira ofensa desse tipo, provavelmente não teria sido castigada com tanta severidade. Porém, zombar dos mensageiros do Senhor e maltratar os profetas era um dos grandes pecados de Israel, como vemos em (2 Crônicas 36:16). Aqui vemos um exemplo desse pecado. As crianças de Betel, meninos e meninas que brincavam nas ruas e provavelmente sabiam de sua aproximação, saíram ao encontro de Eliseu. Não o saudaram com honra, como deveriam, mas com insultos. Cercaram‑no e zombaram dele, como se fosse um tolo ou alguém feito para diverti‑los.
Entre seus escárnios, gritavam: “Sobe, calvo; sobe, calvo.” É coisa perversa zombar de pessoas por defeitos naturais ou deformidades. Isso apenas acrescenta dor ao sofrimento e, se elas são como Deus as formou, o insulto recai sobre ele. No entanto, mal se podia chamar aquilo de defeito, e eles não teriam usado essa questão se tivessem uma acusação melhor para fazer. O alvo real era desonrá‑lo como profeta. A honra que Deus lhe dera deveria ter coberto sua cabeça calva e protegido contra a zombaria deles.
Ao dizerem “Sobe”, podem ter feito referência à ascensão de Elias ao céu. Era como se dissessem: “Teu mestre subiu, por que não sobes atrás dele? Onde está o teu carro de fogo? Quando vamos nos livrar de ti também?” Essas crianças apenas repetiam o que aprenderam. Tinham sido ensinadas por pais idólatras a usar palavras torpes e duras, sobretudo contra profetas. Os mais novos copiavam os mais velhos. Talvez os próprios pais os tenham mandado e atiçado, na esperança de afastar o profeta da cidade. Era também um retrato de advertência da ruína que um dia viria sobre Israel por abusar dos profetas de Deus.
Eliseu suportou por bastante tempo seus insultos com paciência. Por fim, o zelo santo por Deus se acendeu nele, porque eles continuavam a provocá‑lo. Ele se virou e olhou para eles, talvez esperando que um olhar sério e severo os envergonhasse e os fizesse ir embora. Quis ver se algum sinal de humildade ou vergonha surgia em seus rostos. Mas eles não se envergonharam nem coraram. Então ele os amaldiçoou em nome do Senhor, invocando e declarando o juízo que se seguiu. Fê‑lo, não por ira pessoal diante do insulto contra si, mas como boca da justiça de Deus, para punir a desonra feita a Deus.
Sua palavra foi cumprida imediatamente. Duas ursas, talvez privadas de suas crias, saíram de um bosque próximo e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos (2 Reis 2:24). Nisso é preciso defender o profeta, pois ele agiu sob direção divina. Se a maldição tivesse brotado de um espírito pecaminoso, Deus não a teria confirmado. Podemos achar que teria sido melhor pedir duas varas para corrigir aquelas crianças, em vez de duas ursas para destruí‑las. Mas Eliseu conhecia, pelo Espírito, o caráter perverso delas. Sabia que eram geração de víboras e que, se vivessem, se tornariam perigosos inimigos dos profetas de Deus, pois já tão cedo haviam começado a insultá‑los. Ele visava também castigar os pais e fazê‑los temer os juízos de Deus.
Deus precisa ser honrado como Deus justo, que odeia o pecado e o levará em conta, mesmo em crianças pequenas. Que esse bando perverso e infeliz nos faça tremer diante de Deus. Que as crianças temam dizer palavras más, porque Deus nota o que elas falam. Que não zombem de ninguém por defeitos físicos ou mentais, mas antes tenham compaixão. E, sobretudo, que saibam ser perigoso escarnecer do povo ou dos ministros de Deus, ou zombar de quem faz o que é certo. E que os pais, se desejam consolo em seus filhos, cuidem bem de sua formação e façam tudo o que puderem, desde cedo, para expulsar a loucura que está ligada ao coração deles. Como diz o bispo Hall: “É em vão esperar bem de filhos cuja educação descuidamos, e é em vão lamentar fracassos que o nosso zelo poderia ter impedido.”
Depois disso, Eliseu foi a Betel e não temeu vingança da parte dos pais enlutados. Sabia que Deus, que lhe ordenara agir, o protegeria. Dali foi para o monte Carmelo (2 Reis 2:25), onde provavelmente havia um lugar de retiro religioso, propício à quietude e à reflexão. De lá voltou a Samaria, onde, em um ambiente público, esse pai dos profetas poderia ser mais útil. O bispo Hall observa aqui que ninguém pode ser um vidente proveitoso se estiver sempre sozinho ou nunca sozinho.
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Deste capítulo
2 Reis 2:1
"Sucedeu que, quando o SENHOR estava para elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu de Gilgal com Eliseu."
2 Reis 2:2
"E disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Betel. Porém Eliseu disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim foram a Betel."
2 Reis 2:3
"Então os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o SENHOR hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos."
2 Reis 2:4
"E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Jericó. Porém ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim foram a Jericó."
2 Reis 2:5
"Então os filhos dos profetas que estavam em Jericó se chegaram a Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o SENHOR hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos."
2 Reis 2:6
"E Elias disse: Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou ao Jordão. Mas ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim ambos foram juntos."
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