2 Samuel 2 está situado na transição entre o reinado de Saul e o estabelecimento pleno do reinado de Davi. Saul havia morrido em batalha contra os filisteus (1 Samuel 31), e Davi, que já havia sido ungido por Samuel anos antes, vivia até então como líder de um grupo de guerreiros, muitas vezes em fuga de Saul.
O capítulo abre com Davi em busca de direção divina para saber para onde deveria ir na terra de Judá. Hebrom, cidade histórica e importante para os patriarcas (Abraão viveu ali e ali ficava o sepulcro dos patriarcas), torna-se o centro político inicial do reinado de Davi. A unção de Davi sobre a casa de Judá marca o começo de um reinado regional, ainda não sobre todo Israel.
Enquanto isso, a casa de Saul tenta manter sua influência. Abner, primo de Saul e comandante do exército, exerce papel decisivo ao tomar Is-Bosete, filho de Saul, e estabelecê-lo como rei em Maanaim, do outro lado do Jordão. Is-Bosete tem cerca de 40 anos e reina por dois anos sobre as demais tribos, enquanto Davi reina sete anos e seis meses em Hebrom. Essa sobreposição indica um período de instabilidade política e de guerra civil velada entre Judá e o restante de Israel.
O encontro junto ao tanque de Gibeom é um episódio típico de conflitos entre clãs e tribos da Antiguidade, em que confrontos limitados entre guerreiros representavam uma forma de medir forças entre grupos maiores. A morte de Asael, irmão de Joabe e Abisai (filhos de Zeruia, irmã de Davi), cria uma dívida de sangue e alimenta uma espiral de vingança que terá desdobramentos nos capítulos seguintes.
Geograficamente, o texto menciona Hebrom (Judá), Maanaim (a leste do Jordão), Gibeom (ao norte de Jerusalém), Belém e regiões como Gileade, Efraim, Benjamim e Jizreel, descrevendo um cenário de disputa pelo controle sobre diversas regiões de Israel. O período é de lenta consolidação do poder de Davi e de reconfiguração da liderança após a queda da casa de Saul.