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1 Timóteo 3:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. "

1 Timóteo 3:1

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1 Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.

2 Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;

3 Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;

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auto_stories Comentário Bible Guided

As duas cartas a Timóteo e a carta a Tito apresentam um modelo bíblico de governo da igreja e orientações para os ministros. É provável que Timóteo fosse um evangelista deixado em Éfeso para cuidar daqueles a quem o Espírito Santo tinha constituído bispos ali, isto é, os anciãos ou presbíteros, como se vê em (Atos 20:28), onde o cuidado da igreja é entregue aos presbíteros, que também são chamados de bispos. Parece que eles relutavam em se separar de Paulo, especialmente porque ele lhes disse que não veriam mais o seu rosto (Atos 20:38). A igreja ali havia sido plantada havia pouco tempo, e eles temiam assumir sozinhos essa responsabilidade; por isso Paulo deixou Timóteo com eles para ajudar a pôr tudo em ordem.

Aqui vemos o caráter de um ministro do evangelho, cujo ofício, como bispo, é supervisionar uma congregação local de cristãos. Se alguém deseja o episcopado, deseja uma boa obra (1 Timóteo 3:1). O ministério é uma obra. Mesmo que hoje o ofício de bispo seja muitas vezes visto como uma posição de honra, então era considerado uma boa obra. O ofício de um bispo, segundo as Escrituras, é instituído por Deus, não inventado pelos homens. O ministério não é criação do Estado, e é lamentável quando ministros se tornam instrumentos do Estado. Esse ofício já existia na igreja antes que governantes passassem a apoiar publicamente o cristianismo, porque Cristo deu esse dom à igreja (Efésios 4:8-11).

Esse ofício é também um trabalho, o que significa que exige diligência e esforço constante. O apóstolo o apresenta como uma obra, não como um lugar de honra ou de lucro, porque os ministros devem olhar mais para o seu labor do que para as vantagens do seu cargo. É uma boa obra porque é de máxima importância e visa ao maior bem. O ministério lida com nada menos que a vida e a felicidade de almas imortais. É bom porque existe para manifestar a grandeza de Deus, que conduz muitos filhos à glória. Foi instituído para abrir os olhos das pessoas e convertê-las das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus (Atos 26:18).

Aqueles que buscam esse ofício devem ter por ele um desejo sincero. Se alguém o deseja, deve desejá-lo ardentemente, movido pela esperança de trazer maior glória a Deus e maior bem às almas por meio dele. Por isso se pergunta aos que se apresentam ao ministério se eles creem ser movidos pelo Espírito Santo a assumir esse ofício.

Para desempenhar essa obra, o trabalhador precisa ser qualificado. Um ministro deve ser irrepreensível, isto é, não viver debaixo de nenhuma acusação vergonhosa. Deve dar o mínimo possível de motivo para censura, pois o escândalo prejudica o seu ministério e desonra o ofício. Deve ser marido de uma só mulher, não alguém que se divorciou e tornou a casar, nem alguém que tenha mais de uma mulher ao mesmo tempo, o que era então comum entre judeus e gentios, especialmente entre gentios.

Deve ser vigilante e atento contra Satanás, esse inimigo astuto. Deve vigiar a si mesmo e às almas que lhe foram confiadas, e, tendo assumido o cuidado delas, aproveitar todas as oportunidades para lhes fazer o bem. Um ministro precisa ser vigilante, porque o nosso adversário, o diabo, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (1 Pedro 5:8). Deve ser sóbrio, temperante e moderado em tudo o que faz e no uso dos confortos terrenos. As Escrituras frequentemente associam sobriedade e vigilância, porque uma sustenta a outra: “Sede sóbrios; vigiai”.

Também deve ser de boa conduta, calmo e sólido, não frívolo, vão ou superficial. Precisa ser hospitaleiro, pronto a acolher estranhos e a recebê-los em casa conforme suas possibilidades. Isso demonstra que não se apega às riquezas materiais e que ama de fato seus irmãos e irmãs. Deve ser apto para ensinar. Portanto, o bispo descrito por Paulo é um bispo pregador, capaz e disposto a transmitir o conhecimento que Deus lhe deu, pronto a ensinar sempre que tiver oportunidade, bem instruído nas coisas do reino dos céus e generoso em repartir o que sabe.

Não deve ser dado ao vinho. Os sacerdotes não deviam beber vinho quando entravam na tenda da congregação para ministrar (Levítico 10:8-9), para não beberem e então perverterem a lei. Não deve ser espancador, isto é, não deve ser briguento nem pronto a recorrer à força, mas fazer tudo com mansidão, amor e brandura. “Ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para com todos” (2 Timóteo 2:24). Não deve ser cobiçoso de torpe ganância, isto é, não pode fazer de seu ministério um meio de interesses terrenos nem usar meios vergonhosos para ajuntar dinheiro. Deve estar morto para as riquezas deste mundo, vivendo acima delas e deixando isso evidente.

Deve ser paciente e não contencioso, de espírito brando. Cristo, o grande Pastor e Bispo das almas, é assim. Não deve ser rápido em irar-se ou discutir. Assim como não pode ferir com as mãos, também não deve lutar com a língua. Como ensinarão os homens a outros o domínio da língua, se não governam bem a sua própria? Não deve ser avarento. A avareza é má em qualquer pessoa, mas é especialmente nociva em um ministro, cujo chamado o leva a ocupar-se tanto com o mundo por vir.

Deve manter sua própria família em boa ordem. Precisa governar bem sua casa, para dar bom exemplo a outros chefes de família e mostrar que é capaz de cuidar da igreja de Deus. “Se alguém não sabe governar a própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” Os lares dos ministros devem ser exemplo de bem para outros lares. Os ministros devem manter seus filhos em sujeição, e os filhos devem submeter-se às instruções que recebem. Isso deve ser feito com toda dignidade. O melhor modo de manter os que estão sob autoridade em boa ordem é governá-los com gravidade. Não com aspereza, mas com seriedade e respeito.

Não deve ser neófito, isto é, alguém recém-trazido à fé cristã, ou ainda mal instruído, que conhece apenas a superfície da religião. Tal pessoa é muito propensa a se encher de orgulho, pois, muitas vezes, quanto menos se sabe, mais presunçoso se é. “Para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.” O diabo caiu por causa do orgulho, e isso é forte razão para nos guardarmos dele, pois o orgulho transformou anjos em demônios. O ministro também deve ter bom testemunho dos de fora, sem mancha de vida anterior que o desabone, pois o diabo pode servir-se disso para armar laços a outros e provocar aversão ao ensino de Cristo quando é anunciado por alguém de má reputação.

Considerando em conjunto essas qualificações de um bispo do evangelho, podemos concluir:

Que forte motivo temos para exclamar, como Paulo: “Quem é suficiente para estas coisas?” (2 Coríntios 2:16). É um trabalho real, um labor verdadeiro. Exige profunda reverência, sabedoria, zelo, coragem, fidelidade e vigilante atenção a nós mesmos, aos nossos desejos, apetites e paixões, bem como àqueles que nos são confiados. Requer santa vigilância para servir dessa maneira.

Até mesmo os ministros mais bem preparados, fiéis e conscienciosos têm fortes razões para se humilharem. Tanto se exige para ser apto a essa obra, e tanto esforço é necessário para realizá-la bem. Na verdade, os melhores ministros ainda ficam muito aquém do que deveriam ser e do que deveriam fazer.

Mesmo assim, aqueles a quem o Senhor habilitou e julgou fiéis devem bendizer a Deus e dar-lhe graças, pois foi ele quem os colocou no ministério. Se Deus se agrada em tornar qualquer um de seus servos, em alguma medida, apto e fiel, então a ele deve ser dada toda a glória e todo o louvor.

Para encorajamento de todo ministro fiel, temos a graciosa promessa de Cristo: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mateus 28:20). Se ele está conosco, em alguma medida nos habilitará para a obra, nos sustentará em meio às dificuldades com consolo, perdoará bondosamente nossas falhas e recompensará nossa fidelidade com “a coroa de glória que nunca se fanará” (1 Pedro 5:4).

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