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1 Timóteo 2:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; "

1 Timóteo 2:1

menu_book Versículo no contexto

1 Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens;

2 Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;

3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui, em primeiro lugar, Paulo dá aos cristãos uma ordem para orarem por todas as pessoas em geral, e especialmente por todos os que têm autoridade. Timóteo devia assegurar que isso fosse praticado. Paulo não lhe entrega uma forma fixa de oração, como se os ministros tivessem de usar um único jeito de orar. Em vez disso, ele apresenta orientações amplas: “deprecações, orações, intercessões e ações de graças”. As deprecações pedem a Deus que afaste o mal, as orações pedem o bem, as intercessões apresentam a Deus as necessidades de outros, e as ações de graças louvam a Deus pelas misericórdias já recebidas.

Paulo considerava isso suficiente. Os cristãos tinham as Escrituras para guiá-los na oração, e o Espírito de oração lhes havia sido dado. A fé cristã é feita para estimular a oração, e os seguidores de Cristo devem ser um povo que ora. Devem orar em todo tempo, com toda oração e súplica (Efésios 6:18). Nossas próprias necessidades vêm em primeiro lugar, ainda que isso esteja apenas implícito aqui. Mas também devemos orar por todas as pessoas, pela humanidade em geral, e por pessoas específicas que precisam ou pedem nossas orações.

Percebe-se aqui o quanto a fé cristã está longe de ser um grupo fechado. Ela ensina essa caridade ampla, que leva a orar não apenas por pessoas do nosso próprio círculo, mas por todos. Os cristãos devem orar pelos reis (1 Timóteo 2:2). Mesmo que, naquele tempo, os reis fossem pagãos, inimigos do cristianismo e perseguidores dos cristãos, ainda assim deviam ser alvos de oração. O governo civil é um bem para a vida pública, e Deus é quem constitui os que governam; por isso devemos orar por eles, ainda que venhamos a sofrer sob o seu governo.

Devemos orar pelos reis e por todos os que se acham em eminência, incluindo autoridades inferiores. Devemos pedir o bem deles e a paz de seus reinos. Por isso, não devemos conspirar contra eles. Havendo paz na terra, podemos ter uma vida de paz também. Devemos ainda dar graças por eles e pelos benefícios de que desfrutamos sob seu governo. O objetivo é que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda piedade e honestidade.

Isso mostra o que devemos pedir em relação aos governantes: que Deus lhes incline o coração, os dirija e os use para que possamos viver em paz debaixo deles. Paulo não diz que devamos pedir promoção, riquezas, honra ou poder sob seu domínio. Não; a maior ambição de um bom cristão é viver quieta e pacificamente, atravessando este mundo sem tumultos, em posição humilde. Devemos desejar paz para nós e para os outros, mas sempre numa vida marcada por piedade e honestidade.

A expressão “em toda piedade e honestidade” resume nosso dever como cristãos em duas palavras. Piedade significa o verdadeiro culto e devoção a Deus. Honestidade significa comportamento íntegro para com o próximo. Essas duas coisas andam juntas. Não somos realmente honestos se não honramos a Deus. E não somos realmente piedosos se somos desonestos, pois Deus odeia o roubo, ainda que seja oferecido como sacrifício. Se queremos uma vida pacífica, precisamos cumprir nosso dever para com Deus e para com o próximo.

Vemos, então, algumas lições. Os cristãos devem ser muito dedicados à oração e fazer uso de deprecações, orações, intercessões e ações de graças. Nossas orações devem ir além de nós mesmos e incluir outros. Devemos orar por todos os homens e dar graças por todos, e não apenas pela nossa família. A oração tem diferentes aspectos, porque pedimos a misericórdia de que precisamos, agradecemos a Deus pelo que já recebemos e suplicamos que ele desvie de nós os juízos que merecemos.

Todos, inclusive reis e autoridades, devem ser incluídos em nossas orações. Eles precisam de oração porque, em posições elevadas, enfrentam muitas dificuldades e tentações. Quando oramos pelos governantes, estamos trilhando o melhor caminho para uma vida quieta e sossegada. Os judeus na Babilônia foram instruídos a buscar a paz da cidade onde estavam cativos e a orar por ela, porque, na paz dela, eles teriam paz (Jeremias 29:7).

Se desejamos uma vida quieta e sossegada, precisamos viver em toda piedade e honestidade. Devemos cumprir nosso dever diante de Deus e diante dos homens. “Quem quer amar a vida e ver os dias bons”, diz Pedro, “refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a” (1 Pedro 3:10-11). A razão de tudo isso é que tal conduta é boa diante de Deus, nosso Salvador. O evangelho de Cristo exige isso. O que é agradável a Deus, nosso Salvador, é o que devemos praticar, e praticar abundantemente.

Em segundo lugar, Paulo apresenta um motivo para orarmos por todos: o amor de Deus alcança toda a humanidade (1 Timóteo 2:4). Um dos motivos para que se ore por todos é que há um só Deus, e esse único Deus tem boa vontade para com a humanidade. Há um só Deus (1 Timóteo 2:5), e apenas um, pois só pode haver um Deus infinito. E esse único Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Ele não tem prazer na morte e perdição de ninguém (Ezequiel 33:11), mas sim no bem e na salvação das pessoas.

Isso não significa que Deus tenha decretado salvar cada indivíduo em particular, pois, se assim fosse, todos seriam salvos. Significa, sim, que ele tem uma verdadeira boa vontade para com a salvação de todos, e ninguém se perde senão por sua própria culpa (Mateus 23:37). Ele quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade, isto é, sejam salvos do modo que ele estabeleceu, e não de qualquer outra forma. Por isso, importa muito que conheçamos a verdade, porque esse é o caminho da salvação. Cristo é o caminho, a verdade e a vida.

Há também um só Mediador; mediador é aquele que se coloca entre duas partes para fazer a paz, e esse Mediador se deu a si mesmo em resgate por todos. Assim como a misericórdia de Deus alcança todas as suas obras, a mediação de Cristo também se estende até aí. Ele pagou um preço suficiente para a salvação de toda a humanidade. Colocou a raça humana em uma nova condição diante de Deus, de modo que já não está sob a lei como aliança de obras, mas sob a lei como regra de vida. A humanidade está debaixo da graça, não mais debaixo da antiga aliança de inocência, mas sob uma nova aliança.

“Ele se deu a si mesmo em preço de redenção.” A morte de Cristo foi um resgate, um pagamento no lugar de outrem. Nós merecíamos a morte, mas Cristo morreu por nós para nos livrar da morte e do inferno. Ele se entregou voluntariamente como resgate por todos, de modo que toda a humanidade se encontra em condição melhor que a dos demônios. Ele morreu para realizar uma salvação comum. Para isso, assumiu o ofício de Mediador entre Deus e os homens. A figura de um mediador supõe que há uma ruptura. O pecado estabelecera uma contenda entre nós e Deus, e Jesus Cristo veio como Mediador para fazer a paz e reconciliar Deus e o homem, como um árbitro que põe a mão sobre ambas as partes (Jó 9:33).

Ele é o resgate que havia de ser testificado a seu tempo. Isso quer dizer que, no Antigo Testamento, seus sofrimentos e a glória que se lhes havia de seguir eram anunciados como realidades a serem reveladas nos últimos tempos (1 Pedro 1:10-11). Elas foram manifestadas no tempo devido, e o próprio Paulo foi constituído pregador e apóstolo para anunciar aos gentios as boas-novas de redenção e salvação por meio de Jesus Cristo.

Paulo recebeu o encargo de pregar essa mensagem a toda criatura (Marcos 16:15). Foi também designado mestre dos gentios. Além de seu chamado geral ao apostolado, ele tinha uma missão particular para pregar entre os gentios, em fé e verdade, isto é, com fidelidade e sinceridade.

Daqui se extraem lições nítidas. É bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que oremos pelos reis e por todos os homens, e também que vivamos vida quieta e sossegada. Isso nos dá forte razão para ambas as coisas. Deus tem um bom desejo quanto à salvação de todos; assim, o verdadeiro problema não está na falta de bondade em Deus, mas na falta de disposição das pessoas em serem salvas do modo de Deus. Nosso Senhor coloca claramente a culpa do lado humano: “Não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40). E ainda: “Quantas vezes quis eu ajuntar-vos… e não o quisestes.”

Os que são salvos precisam chegar ao conhecimento da verdade, porque esse é o meio escolhido por Deus para salvar pecadores. Sem conhecimento, o coração não pode estar bem. Se não conhecermos a verdade, não poderemos ser guiados por ela. Vale notar também que a unidade de Deus é ligada à unidade do Mediador, sendo o Mediador aquele que se coloca entre Deus e os pecadores para os aproximar. Defender muitos mediadores é tão grave quanto defender muitos deuses.

Quem é Mediador, no sentido do Novo Testamento, deu a si mesmo em resgate. Por isso, é vazia a afirmação de que haveria um só Mediador para fazer expiação, mas muitos mediadores para interceder. Conforme Paulo, o ato de Cristo dar-se em resgate é parte necessária da obra do Mediador e também o fundamento da sua intercessão. Paulo foi ordenado ministro para declarar aos gentios que Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens e que se deu a si mesmo em resgate por todos. Esta é a principal mensagem que todos os ministros devem pregar até o fim do mundo. Paulo honrou o seu chamado como apóstolo dos gentios (Romanos 11:13).

Os ministros devem anunciar a verdade, conforme a entendem, e também crer nela. Como Paulo, devem pregar com fé e verdade, isto é, com convicção sincera e com honestidade digna de confiança.

Aqui encontramos uma orientação quanto à oração (1 Timóteo 2:8). Sob o evangelho, a oração não está limitada a um único lugar sagrado. Os homens devem orar em todo lugar. Nenhum lugar é impróprio para a oração, e nenhum lugar é, por si mesmo, mais aceitável a Deus que outro (João 4:21). Devemos orar em particular, orar com a família, orar nas refeições, orar em viagem e orar em reuniões públicas ou privadas.

É vontade de Deus que levantemos mãos santas em oração. Isso significa mãos puras, limpas da mancha do pecado e lavadas na fonte aberta para o pecado e para a impureza. Davi disse: “Lavarei as minhas mãos na inocência” (Salmo 26:6). Também devemos orar em amor, sem ira nem ódio contra ninguém. E devemos orar com fé, sem duvidar (Tiago 1:6) ou, como alguns entendem, sem contendas, o que também está de acordo com o chamado ao amor.

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