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1 Samuel 22:6 - Significado e aplicação

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Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E ouviu Saul que já se sabia de Davi e dos homens que estavam com ele; e estava Saul em Gibeá, debaixo de um arvoredo, em Ramá, e tinha na mão a sua lança, e todos os seus criados estavam com ele. "

1 Samuel 22:6

menu_book Versículo no contexto

4 E trouxe-os perante o rei dos moabitas, e ficaram com ele todos os dias que Davi esteve no lugar forte.

5 Porém o profeta Gade disse a Davi: Não fiques naquele lugar forte; vai, e entra na terra de Judá. Então Davi saiu, e foi para o bosque de Herete.

6 E ouviu Saul que já se sabia de Davi e dos homens que estavam com ele; e estava Saul em Gibeá, debaixo de um arvoredo, em Ramá, e tinha na mão a sua lança, e todos os seus criados estavam com ele.

7 Então disse Saul a todos os seus criados que estavam com ele: Ouvi, peço-vos, filhos de Benjamim, dar-vos-á também o filho de Jessé, a todos vós, terras e vinhas, e far-vos-á a todos capitães de milhares e capitães de centenas,

8 Para que todos vós tenhais conspirado contra mim, e ninguém há que me dê aviso de que meu filho tem feito aliança com o filho de Jessé, e nenhum dentre vós há que se doa de mim, e mo participe, pois meu filho tem contra mim sublevado a meu servo, para me armar ciladas, como se vê neste dia?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Já vimos as aflições de Davi aumentarem; agora vemos a maldade de Saul se aprofundar. Ele parece ter deixado de lado todos os outros assuntos e se entregado inteiramente à caçada contra Davi. Por fim, soube, pela conversa comum do povo, que Davi havia sido encontrado, isto é, que aparecera em público e começara a ajuntar homens ao seu serviço.

Saul então convocou todos os seus servos ao redor e se assentou debaixo de um arvoredo, no alto de Gibeá. Ele segurava na mão a sua lança como se fosse um cetro, mostrando o tipo de governo que pretendia exercer. Isso também revelava o estado do seu coração, ou melhor, a doença dele, pois estava pronto para matar qualquer um que se colocasse em seu caminho. Nesse tribunal manchado de sangue, Saul primeiro procurou motivos de acusação contra Davi e Jônatas, e depois contra Aimeleque, o sacerdote.

Saul queria acreditar em duas coisas, a fim de despejar seu ódio sobre dois dos melhores homens que possuía. Primeiro, queria pensar que Davi estava à espreita para atacá‑lo e tirar‑lhe a vida, o que era totalmente falso. Na verdade, era Saul quem buscava tirar a vida de Davi, mas fingia o contrário, sem ter qualquer prova real. Segundo, queria pensar que seu filho Jônatas havia instigado Davi e estava envolvido na mesma conspiração para matar o rei. Isso também era claramente falso.

Havia amizade entre Davi e Jônatas, mas nenhuma conspiração maligna. Nada no acordo entre eles apontava para qualquer dano contra Saul. Se Jônatas tinha concordado que Davi reinaria depois da morte de Saul, porque essa era a vontade de Deus já revelada, que prejuízo isso causaria a Saul? Ainda assim, muitas vezes os melhores amigos de um príncipe e de uma nação são caluniados como se fossem inimigos de ambos. Até Cristo foi tratado dessa maneira. Saul supôs que Jônatas e Davi conspiravam contra ele, contra sua coroa e sua honra. Irritou‑se porque seus servos não lhe haviam contado nada, como se certamente devessem saber de tal coisa. Mas nada disso existia de fato.

Isso mostra a natureza do ódio ciumento e os seus pobres artifícios para forçar a aparição de coisas que não existem. Saul via todos ao seu redor como inimigos porque não repetiam a sua própria opinião. Ele lhes disse, primeiro, que estavam sendo insensatos e agindo contra o bem da sua tribo e de suas famílias. Eles eram benjamitas, e se Davi se exaltasse, a honra passaria de Benjamim para Judá. Disse ainda que Davi nunca os recompensaria como Saul havia feito, com campos, vinhas e cargos elevados como chefes de milhares e de centenas.

Em segundo lugar, Saul os acusou de infidelidade. “Todos vós conspirastes contra mim”, disse ele. Que inquietação constante e que miséria vêm sobre aqueles que se entregam ao ciúme. Quando um governante dá ouvidos à mentira, todos os seus servos parecem perversos aos seus olhos (Provérbios 29:12). Ou seja, parecem ser assim para ele, sejam ou não de fato. Em terceiro lugar, Saul os acusou de falta de compaixão. Procurou comovê‑los dizendo: “Não há ninguém entre vós que se compadeça de mim, nem que se preocupe comigo?” Esse tipo de discurso tinha por objetivo inflamá‑los e fazê‑los servir ao seu ódio, para que ele acalmasse suas suspeitas a respeito deles.

Embora Saul não conseguisse arrancar de seus servos nada que pudesse ser usado contra Davi ou Jônatas, obteve informação de Doeg contra Aimeleque, o sacerdote. Doeg, um homem ímpio e edomita, servo de Saul, apresentou uma acusação contra Aimeleque e se ofereceu como testemunha. Talvez não tivesse feito isso se Saul não o tivesse pressionado. Se estivesse ansioso por acusar, já o teria feito antes. Mas agora Saul passou a agir como se todos devessem ser considerados traidores, a menos que se tornassem acusadores. Então Doeg contou a Saul o favor que Aimeleque havia feito a Davi, algo que ele mesmo tinha visto.

Disse que Aimeleque havia consultado a Deus por Davi, coisa que um sacerdote normalmente não fazia, a não ser por líderes públicos e por assuntos públicos, e que também lhe dera pão e uma espada. Tudo isso era verdade, mas não era toda a verdade. Doeg também deveria ter dito que Davi fizera Aimeleque acreditar que estava em missão a serviço do rei. Assim, a ajuda prestada por Aimeleque tinha sido, em intenção, para honrar Saul, qualquer que fosse o desfecho posterior. Isso teria inocentado Aimeleque, que estava nas mãos de Saul, e colocado a culpa onde ela cabia, sobre Davi, que estava fora do alcance de Saul.

Aimeleque então foi preso, ou antes, intimado a comparecer diante do rei. Com base nessa acusação, foi levado a julgamento. Saul mandou buscá‑lo, junto com todos os sacerdotes que serviam no santuário, supondo que todos estavam ajudando Davi. Como não se sentiam culpados, não temeram perigo algum e, por isso, todos vieram à presença do rei (1 Samuel 22:11). Ninguém tentou fugir, nem correu até Davi em busca de proteção, como poderiam ter feito agora que Davi já havia reunido seguidores, se de fato estivessem do lado dele, como Saul imaginava.

Saul então acusou Aimeleque com grande desprezo e ira (1 Samuel 22:12). Disse: “Ouve, filho de Aitube”, sem sequer chamá‑lo pelo nome, muito menos tratá‑lo com alguma honra. Isso mostrava que Saul havia abandonado o temor de Deus. Já não respeitava seus sacerdotes, e parecia até se alegrar em insultá‑los. Aimeleque respondeu como alguém que se apresenta pronto diante do tribunal: “Eis‑me aqui, meu senhor”, preparado para ouvir sua acusação, sabendo que não tinha feito nada de errado.

Ele não questionou a legitimidade do tribunal de Saul, nem reivindicou proteção especial por ser sacerdote, embora fosse o sumo sacerdote. O ofício de sumo sacerdote já havia estado ligado anteriormente ao cargo de juiz ou chefe governante, mas agora Saul detinha o poder real. Assim, nas questões que pertenciam à esfera do rei, até o sumo sacerdote ficava no mesmo nível dos demais israelitas. Toda alma deve ser sujeita às autoridades superiores, mesmo aquelas que exercem funções na casa de Deus.

Então Saul expôs a acusação contra ele (1 Samuel 22:13). Acusou Aimeleque de se unir ao filho de Jessé, isto é, a Davi, numa conspiração para tirar o rei do trono e matá‑lo. “O plano dele”, dizia Saul, “era levantar‑se contra mim, e tu o ajudaste com pão e espada.” Isso mostra como atos inocentes podem ser terrivelmente distorcidos. E mostra também quão insegura é a vida sob um governante cruel, e por que devemos agradecer a Deus pelo bom governo que desfrutamos.

Aimeleque respondeu à acusação e se declarou inocente (1 Samuel 22:14, 1 Samuel 22:15). Admitiu os fatos, mas negou ter agido com traição ou malícia, ou com qualquer intenção contra o rei. Disse que não fazia ideia de que existisse qualquer conflito entre Saul e Davi. Pelo contrário, acreditava que Davi continuava em favor diante de Saul, como anteriormente na corte.

Note‑se que Aimeleque não se defende dizendo que Davi o enganara, embora isso fosse verdade. Ele não quer expor a fraqueza de Davi, nem mesmo para se proteger, especialmente diante de Saul, que procurava pretextos para atacar Davi. Em vez disso, aponta para o longo e fiel serviço de Davi a Saul, para a honra que o rei lhe havia dado ao entregá‑lhe sua filha em casamento e para a confiança que Saul muitas vezes depositara nele.

Aimeleque também declara que já tinha buscado orientação de Deus muitas vezes em favor de Davi, quando Saul o enviava em missões, e que o fizera agora com a mesma retidão de antes. Ele nega qualquer participação em complô contra o rei: “Longe de mim tal coisa. Ocupo‑me com o meu próprio ofício e não me intrometo nos negócios públicos.” Em seguida pede misericórdia: “Não ponha o rei culpa em teu servo”, e conclui com uma simples declaração de inocência: “Teu servo de nada sabia de tudo isso.”

Dificilmente alguém poderia falar com sinais mais claros de sinceridade. Se estivesse diante de um tribunal israelita honesto, certamente teria sido absolvido, pois quem poderia achar culpa nele? No entanto, o próprio Saul profere a sentença em (1 Samuel 22:16): “Certamente morrerás, Aimeleque”, como se fosse um traidor, e com ele morreria toda a casa de seu pai. Isso foi profundamente injusto. “Vi ainda debaixo do sol o lugar do juízo; aí impiedade” (Eclesiastes 3:16).

Foi errado Saul julgar a própria causa sem apelar a juiz, profeta, conselho ou conselho de guerra. Também foi errado rejeitar uma defesa tão justa, sem apresentar motivo algum e sem tentar demonstrar que ela fosse falsa. Ele agiu com precipitação, sem dar tempo a si mesmo para refletir, nem ao acusado para responder mais. Pior ainda, a sentença recaiu não apenas sobre Aimeleque, que fora acusado por Doeg, mas sobre toda a sua família, embora nada houvesse sido dito contra eles. Filhos não devem ser mortos por causa dos pais. E a sentença foi pronunciada em meio à fúria, não a serviço da justiça, mas para saciar sua própria ira selvagem.

Saul então deu a ordem verbal para execução imediata. Mandou que seus guardas matassem os sacerdotes, mas eles se recusaram (1 Samuel 22:17). Ele quis acrescentar vergonha à morte deles. Não queria que morressem pelas mãos de soldados ou por meio de oficiais de justiça, mas pelas mãos de seus próprios servos, para que parecessem ser pisados em desonra. Jamais houve ordem de governante dada de maneira mais ímpia: “Volvei‑vos e matai os sacerdotes do Senhor.” Há algo de chocante na forma como ele o diz.

Se ele tivesse deixado de fora o santo ofício deles e sua relação com Deus, isso ao menos mostraria alguma vergonha. Mas chamá‑los de “sacerdotes do Senhor” enquanto mandava matá‑los tornava seu ódio ainda mais evidente. Deus já havia rejeitado Saul e escolhido outro em seu lugar, e Saul parece aproveitar a oportunidade para ferir os sacerdotes do Senhor, já que não pode atingir o próprio Deus. O mal pode levar um homem muito longe, quando Satanás assume o controle. Saul ainda tenta justificar sua ordem com algo falso e não provado, dizendo que eles sabiam da fuga de Davi, embora nada soubessem disso. Maldade e homicídio quase sempre se apoiam em mentiras.

A recusa dos guardas foi nobre. Mostraram mais juízo e mais reverência do que seu senhor. Podiam esperar perder o emprego ou até a vida por desobedecer, mas não estenderam a mão contra os sacerdotes do Senhor. Respeitavam o ofício sacerdotal e criam que aqueles homens eram inocentes. Nunca uma ordem foi desobedecida de modo mais honroso.

Então Saul se volta para Doeg, o delator, e lhe ordena que faça o serviço. Doeg obedece. Poder‑se‑ia esperar que a recusa dos guardas despertasse a consciência de Saul, ou ao menos o fizesse parar e refletir antes de seguir adiante com tamanha crueldade. Mas sua mente estava cegada e seu coração endurecido. Se as testemunhas não queriam executar, então, como a lei mais tarde permitiria em outro caso, a própria testemunha daria o primeiro golpe (Deuteronômio 17:7). Governantes sanguinários sempre encontram servos tão cruéis quanto eles.

Doeg não perde tempo. Quando Saul o manda atacar os sacerdotes, ele o faz de boa vontade. Sem resistência, mata oitenta e cinco sacerdotes naquele mesmo dia, homens em idade de serviço sacerdotal, entre vinte e cinquenta anos, pois usavam éfode de linho (1 Samuel 22:18). É possível que tenham comparecido diante de Saul com suas vestes sacerdotais e sido mortos com elas. Isso já bastaria para o homem mais violento, mas a perseguição é como uma sanguessuga que nunca se cansa de clamar: “Dá, dá”.

Depois de matar os sacerdotes, Doeg, por ordem de Saul, foi a Nobe e matou todos ali, homens, mulheres, crianças e até o gado (1 Samuel 22:19). É uma crueldade indizível, que quase não se consegue imaginar sem horror. É difícil crer que tamanha maldade possa entrar no coração humano.

Isso mostra a terrível perversidade em que Saul caiu depois que o Espírito do Senhor se retirou dele. Aqueles que se entregam aos próprios desejos pecaminosos podem ser levados a qualquer vileza. O mesmo homem que antes teve pena de Agague e do gado dos amalequitas, contra o mandamento de Deus, agora vê os sacerdotes do Senhor serem assassinados sem nenhuma compaixão, e nada é poupado do que lhes pertencia. Por causa daquele pecado anterior, Deus o deixou entregue a este.

Ao mesmo tempo, cumpriu‑se o antigo aviso contra a casa de Eli, pois Aimeleque e sua família eram descendentes de Eli. Embora Saul tenha agido mal, Deus continuou justo em permitir o que aconteceu. O que Deus havia falado a Eli se cumpriu exatamente como Ele tinha advertido, e nenhuma palavra de Deus cai por terra (1 Samuel 3:11‑13). E isso também pode ser visto como grande juízo sobre Israel, resultado adequado do desejo que tiveram de ter um rei antes do tempo determinado por Deus.

Triste era o estado da religião em Israel nessa época. A arca já fazia muito tempo que estava escondida, mas ainda havia algum consolo no fato de terem o altar e os sacerdotes que o serviam. Agora, porém, viam seus sacerdotes estendidos em seu próprio sangue, e também os herdeiros do sacerdócio. A cidade dos sacerdotes foi devastada, de modo que o altar de Deus precisou ser negligenciado por falta de servos.

Tudo isso veio da ordem injusta e cruel do próprio rei, dada para saciar sua ira desenfreada. Deve ter ferido profundamente o coração de todo israelita piedoso e os feito desejar, mil vezes, ter ficado satisfeitos com o governo de Samuel e de seus filhos. Os piores inimigos da nação não poderiam ter lhes causado dano maior.

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