Versículo em destaque
1 Samuel 15:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Então disse Samuel a Saul: Enviou-me o SENHOR a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; ouve, pois, agora a voz das palavras do SENHOR. "
1 Samuel 15:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Então disse Samuel a Saul: Enviou-me o SENHOR a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; ouve, pois, agora a voz das palavras do SENHOR.
2 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito.
3 Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.
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Aqui, Samuel, falando em nome de Deus, convoca Saul de forma solene à obediência e deixa claro que o Senhor agora o prova em um ponto específico: se ele obedecerá ou não (1 Samuel 15:1). Isso torna a desobediência posterior de Saul ainda mais grave, porque a questão lhe foi apresentada de maneira muito clara. Samuel o lembra do que Deus já havia feito por ele: o Senhor o havia enviado para ungi-lo rei. Deus dera a Saul o seu poder, portanto Saul deveria usar esse poder para Deus. Deus o havia honrado, e agora Saul precisava buscar honrar a Deus. Deus o fizera rei sobre Israel; por isso, ele devia defender a causa de Israel e vingar as injustiças cometidas contra Israel. Ele foi colocado sobre o povo de Deus, mas continuava debaixo do governo do Deus de Israel.
Samuel também apresenta a regra mais ampla que decorre disso: tudo o que Deus ordenar, Saul deve fazer. “Ouve, pois, agora a voz das palavras do SENHOR.” A bondade de Deus para conosco impõe sobre nós uma forte obrigação de obedecê‑lo. É isso o que devemos devolver a ele (Salmo 116:12).
Em seguida, Samuel entrega a Saul uma missão específica, na qual ele deverá provar sua obediência mais do que havia feito antes. Ele fala com plena autoridade divina: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos”, isto é, o Senhor que comanda todos os exércitos, inclusive o exército de Israel. Ele também dá a razão da ordem, para que sua severidade não pareça arbitrária: Deus se lembra do que Amaleque fizera a Israel (1 Samuel 15:2). Havia uma causa antiga de Deus contra os amalequitas por terem atacado Israel quando este saía do Egito. A história está em (Êxodo 17:8 em diante), e a culpa é ainda mais esclarecida em (Deuteronômio 25:18). Eles atacaram a retaguarda da marcha de Israel, ferindo os fracos e os retardatários, e não temeram a Deus.
Naquela ocasião, Deus jurara que estaria em guerra contra Amaleque de geração em geração e que um dia apagaria o nome de Amaleque. Essa é a tarefa que Saul agora recebe para executar (1 Samuel 15:3). Ele deve ir e ferir Amaleque, pois Israel agora está forte e a culpa de Amaleque chegou à sua medida completa. Saul é ordenado a destruir completamente aquela nação condenada. Deve matar todas as pessoas, homens e mulheres, crianças e bebês, sem poupá‑las por piedade. Deve também destruir os animais deles — bois, ovelhas, camelos e jumentos — sem poupá‑los por ganância.
Isso ensina várias coisas. As injúrias feitas ao povo de Deus certamente serão cobradas, especialmente quando esse povo é atacado ao sair do Egito. Deus muitas vezes espera muito tempo antes de julgar aqueles destinados à ruína. Mas, embora ele espere, não espera para sempre. O tempo de retribuição pela causa de Israel chega por fim. A justiça divina pode parecer demorada, mas sempre acerta o alvo. E muitas vezes, quanto mais se demora o juízo, mais severo ele é quando finalmente vem. Deus também escolhe a pessoa adequada para a tarefa. Era uma obra sangrenta, e Saul, um homem rude e severo, era ajustado a ela.
Saul então reúne seu exército e marcha contra Amaleque. Ele convoca uma força muito numerosa, duzentos mil soldados de infantaria (1 Samuel 15:4). Quando ele fora enfrentar os filisteus, em situação de alto perigo, apenas seiscentos homens permaneceram com ele (1 Samuel 13:15). Mas agora, como vai atacar Amaleque por ordem direta do céu e com certeza da vitória, pode convocar milhares a mais. Nesse momento, porém, a participação de Judá não foi grande o suficiente para honrá‑los, seja qual for o motivo. O número deles foi vergonhosamente pequeno, apenas dez mil, enquanto as demais tribos, exceto Levi, forneceram duzentos mil homens. O dia de honra de Judá ainda viria, mas não havia chegado.
Saul contou as tropas em Telaim, um lugar cujo nome significa “cordeiros”. A antiga versão latina entendeu as palavras como se ele as tivesse contado como cordeiros, e o targum caldeu entendeu que ele as contou por meio dos cordeiros da Páscoa. Mais tarde, na prática judaica, dez homens eram contados para cada cordeiro. Saul então levou suas forças até a principal cidade de Amaleque (1 Samuel 15:5), esperando fazer com que saíssem para o combate.
Ele também deu um aviso amistoso aos queneus, a família ligada a Jetro, sogro de Moisés, para que se separassem dos amalequitas, no meio dos quais viviam, enquanto o juízo caía (1 Samuel 15:6). Isso foi sábio e piedoso, e provavelmente seguiu a orientação de Samuel. Os queneus eram um povo nômade, que habitava em tendas, de modo que lhes era fácil deslocar‑se de um lugar para outro. Muitos deles viviam entre os amalequitas naquele tempo e, embora morassem em tendas, estavam naturalmente seguros, pois tinham feito sua morada em regiões rochosas. Balaão havia profetizado que eles também seriam um dia devastados (Números 24:21-22), mas Saul não deveria destruí‑los agora.
Saul primeiro reconhece a bondade que os antepassados dos queneus haviam demonstrado a Israel quando este saía do Egito. Jetro e sua família foram de grande ajuda a Israel no deserto, como se fossem olhos para eles, e Deus se lembrou dessa bondade muito tempo depois. Assim, uma pessoa piedosa pode deixar bênçãos para filhos e netos. Os que vierem depois de nós podem desfrutar do fruto de nossas boas obras quando já estivermos no túmulo. Deus não se esquece da bondade demonstrada ao seu povo. Isso será lembrado, ao menos, no último dia e recompensado na ressurreição dos justos: “Tive fome, e me destes de comer.” O fato de Deus se lembrar da bondade dos queneus, ao mesmo tempo em que pune a crueldade dos amalequitas, mostra a justiça do seu juízo. Se Deus pode fazer descer bênçãos por gerações, também pode fazer descer juízo por gerações. Ele se identifica de tal maneira com o seu povo que abençoa os que o abençoam e amaldiçoa os que o amaldiçoam (Números 24:9; Gênesis 12:3). As pessoas talvez não consigam retribuir por si mesmas a bondade recebida nem punir os agravamentos sofridos, mas Deus fará ambas as coisas.
Então Saul ordena aos queneus que se afastem dos amalequitas: “Ide, retirai‑vos, descei do meio dos amalequitas.” Quando os juízos destruidores de Deus se aproximam, ele se encarrega de separar o precioso do vil e de esconder os mansos da terra no dia da sua ira. É perigoso ser encontrado ao lado dos inimigos de Deus. Também é nosso dever e para nosso bem sair do meio deles, para não participarmos de seus pecados nem de suas pragas (Apocalipse 18:4). Os judeus têm um provérbio: ai do ímpio, e ai do seu vizinho.
Saul então derrota os amalequitas, pois isso se assemelhava mais à execução de uma sentença contra homens já condenados do que a uma guerra normal entre inimigos em pé de igualdade.
A questão não devia deixar dúvidas, pois a ordem era justa e o mandamento, muito claro. Ele os feriu e os destruiu totalmente (1 Samuel 15:7-8). Dessa forma, o povo de Amaleque finalmente pagou pelo pecado de seus antepassados. Às vezes Deus cobra de uma família ou nação por uma culpa antiga. Os amalequitas eram idólatras e culpados de muitos outros pecados, de modo que mereciam por si mesmos a ira de Deus. Mas, quando Deus trouxe juízo sobre eles, apontou o antigo abuso contra Israel como a principal base da sua causa. Ó Senhor, quão profundas e insondáveis são as tuas decisões, e ainda assim quão clara é a tua justiça.
Mesmo assim, Saul cumpriu o mandamento apenas em parte (1 Samuel 15:9). Ele poupou Agague, rei de Amaleque, provavelmente porque Agague era rei como ele e talvez porque Saul esperasse um bom resgate. Ele também poupou o melhor do gado e destruiu apenas os animais sem valor. Podemos supor que muitos do povo escaparam e levaram seus bens para outras terras, razão pela qual os amalequitas ainda são mencionados depois. Mas essa parte Saul não podia evitar. Sua culpa foi não destruir os que estavam ao seu alcance e sob o seu poder.
O que foi destruído, em essência, foi oferecido à justiça de Deus, pois a vingança pertence a ele. Tratar os animais rasos, doentes, mancos e fracos como se fossem bons o bastante para Deus, enquanto reservava os melhores para seus próprios campos e sua mesa, foi, na realidade, honrar mais a si mesmo do que a Deus.
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Deste capítulo
1 Samuel 15:2
"Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito."
1 Samuel 15:3
"Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos."
1 Samuel 15:4
"O que Saul convocou ao povo, e os contou em Telaim, duzentos mil homens de pé, e dez mil homens de Judá."
1 Samuel 15:5
"Chegando, pois, Saul à cidade de Amaleque, pôs emboscada no vale."
1 Samuel 15:6
"E disse Saul aos queneus: Ide-vos, retirai-vos e saí do meio dos amalequitas, para que não vos destrua juntamente com eles, porque vós usastes de misericórdia com todos os filhos de Israel, quando subiram do Egito. Assim os queneus se retiraram do meio dos amalequitas."
1 Samuel 15:7
"Então feriu Saul aos amalequitas desde Havilá até chegar a Sur, que está defronte do Egito."
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