Versículo em destaque

1 Reis 8:12 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então falou Salomão: O Senhor disse que ele habitaria nas trevas. "

1 Reis 8:12

menu_book Versículo no contexto

10 E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a casa do Senhor.

11 E os sacerdotes não podiam permanecer em pé para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a casa do Senhor.

12 Então falou Salomão: O Senhor disse que ele habitaria nas trevas.

13 Certamente te edifiquei uma casa para morada, assento para a tua eterna habitação.

14 Então virou o rei o seu rosto, e abençoou toda a congregação de Israel; e toda a congregação de Israel estava em pé.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui, Salomão anima os sacerdotes que tinham acabado de sair do templo depois do seu serviço, certamente maravilhados com a nuvem escura que cobriu a casa. Os discípulos de Cristo ficaram com medo quando entraram numa nuvem, ainda que fosse uma nuvem luminosa (Lucas 9:34). Do mesmo modo, os sacerdotes se espantaram quando se viram envolvidos por uma nuvem espessa.

Para acalmar o medo deles, Salomão primeiro lhes lembra de algo que já sabiam: essa nuvem era sinal da presença de Deus (1 Reis 8:12). O Senhor havia dito que habitaria em densa escuridão. Portanto, isso estava longe de ser sinal da sua ira; era sinal do seu favor, pois ele já havia declarado que apareceria numa nuvem (Levítico 16:2). Nada nos ajuda mais a aceitar as providências sombrias do que lembrar o que Deus disse e comparar a sua palavra com as suas obras. Como em (Levítico 10:3), era algo que Deus já havia anunciado antes.

Deus é luz (1 João 1:5) e habita em luz inacessível (1 Timóteo 6:16), mas também habita com os homens em densa escuridão. Ele faz dessa escuridão o seu véu, porque os homens não poderiam suportar todo o brilho de sua glória. Em verdade, ele é um Deus que se esconde. Assim, a nossa fé é provada e a nossa reverência aumentada. Onde Deus habita em luz, a fé dá lugar à visão e o temor dá lugar ao amor.

Salomão também acolhe essa nuvem como algo que deve ser recebido com alegria. Visto que Deus, por essa nuvem, havia descido para tomar posse, Salomão, com poucas palavras solenes, entrega-lhe a posse (1 Reis 8:13). É como se Deus dissesse: “Eis que venho”, e Salomão respondesse: “Amém; vem, Senhor”. A casa é totalmente tua, inteiramente tua. Eu a edifiquei e a preparei para ti. Ela é tua para sempre, um lugar fixo para nela habitares para sempre. Nunca será tomada para outro uso, nem desviada para outro fim. A arca nunca será tirada dali, nem andará mais de um lado para outro. Salomão se alegra porque Deus tomou posse e deseja que ele conserve essa posse. Por isso, os sacerdotes não deviam temer aquilo que o próprio Salomão tanto celebra.

Em seguida, Salomão volta-se para instruir o povo e lhes dá uma explicação clara desta casa na qual agora viam Deus entrar para tomar posse. Havia falado brevemente aos sacerdotes, apenas o suficiente para os satisfazer, uma palavra para quem entende; agora se volta para toda a congregação no átrio exterior e lhes fala longamente.

Ele os abençoa. Quando viram a nuvem escura entrar no templo, ficaram admirados e temerosos, pensando se aquela espessa escuridão não se tornaria para eles trevas totais. Podemos imaginar que essa visão, como nada que tivessem visto antes, levou todos à oração e tornou até corações descuidados mais sérios. Então Salomão se une a suas orações e os abençoa com autoridade, pois o menor é abençoado pelo maior. Em nome de Deus, fala paz e bênção sobre eles, como o anjo que abençoou Gideão quando este se assustou em ocasião semelhante (Juízes 6:22–23), dizendo: “Paz seja contigo; não temas; não morrerás”. Salomão os abençoa acalmando-os e libertando-os do medo. Para receber essa bênção, todos se levantam, em sinal de respeito e de disposição para ouvir e acolher. Essa é uma postura adequada quando se pronuncia uma bênção.

Depois, ele explica ao povo sobre a casa que edificou e que está agora dedicando. Começa com um louvor agradecido à bondade de Deus para com ele até ali: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel” (1 Reis 8:15). Todo bem de que desfrutamos deve nos levar a bendizer a Deus por ele. Isso também servia para aquietar a inquietação que certamente sentiam no coração. Em essência, ele diz: “Venham; que as manifestações tão tremendas de Deus não nos afastem dele, mas nos atraiam para ele. Bendigamos o Senhor Deus de Israel”. Jó fez o mesmo em tempo de trevas, quando bendisse o nome do Senhor. Aqui, Salomão bendiz a Deus por duas coisas: pela promessa que ele falara com a sua boca a Davi e pelo cumprimento que realizara agora com a sua mão. Entendemos melhor as misericórdias de Deus, e o agradecemos com mais sinceridade, quando relacionamos seus dons à aliança e comparamos o que ele faz com o que ele disse.

Salomão também faz uma entrega solene, uma consagração desta casa a Deus, colocando-a em suas mãos por seu próprio ato. Em concessões e escrituras legais, costuma-se começar recordando o que já foi feito, antes de declarar o que está sendo dado. Assim, Salomão primeiro expõe os motivos especiais que o moveram a construir esta casa. Ele começa pela necessidade de um lugar assim. Isso precisava ser declarado em primeiro lugar, porque, no sistema de culto em que viviam, deveria haver apenas um lugar onde deveriam esperar que Deus pusesse o seu nome. Se qualquer outro lugar tivesse sido escolhido, isso seria uma usurpação do direito de Deus. Mas Salomão mostra, pelas próprias palavras de Deus, que nenhum outro lugar fora escolhido (1 Reis 8:16). Deus não escolhera cidade alguma para nela edificar uma casa para o seu nome; assim, havia espaço e necessidade para esta casa.

Depois, ele recorda o plano de Davi para construir tal lugar. Deus primeiro escolheu o homem que governaria o seu povo: “Escolhi Davi” (1 Reis 8:16), e então colocou no coração de Davi edificar uma casa para o seu nome (1 Reis 8:17). Isso não foi um projeto orgulhoso de Davi, para sua própria glória, mas um bom propósito de seu pai, lembrado com honra, embora Davi não tenha vivido para lançar a primeira pedra.

Em seguida, Salomão lembra a promessa de Deus a respeito dele mesmo. Deus aprovou a intenção de seu pai: “Bem fizeste em ter isso no teu coração” (1 Reis 8:18). Propósitos sinceros de fazer o bem são agradavelmente aprovados por Deus, mesmo quando sua providência impede que sejam executados. O desejo da pessoa é contado como bondade. Veja (2 Coríntios 8:12). Deus aceitou a boa vontade de Davi, mas não lhe permitiu realizar a obra. Antes, reservou essa honra para o seu filho (1 Reis 8:19): “Ele edificará a casa ao meu nome”. Assim, a obra de Salomão não era projeto pessoal nem meio de se exaltar; seguia o plano de seu pai e correspondia ao próprio decreto de Deus.

Por fim, Salomão relata o que ele mesmo fez e com que intenção: “Edifiquei uma casa, não para o meu nome, mas para o nome do Senhor, Deus de Israel” (1 Reis 8:20), e ali preparou um lugar para a arca (1 Reis 8:21). Dessa forma, ele renuncia a todo direito, pretensão ou interesse que ele ou seus descendentes pudessem ter na casa ou em qualquer coisa que lhe pertencesse, e a entrega a Deus para sempre. É para o nome de Deus e para a sua arca. Nisso, diz Salomão, o Senhor cumpriu a palavra que tinha falado. Todo bem que fazemos deve ser visto mais como cumprimento da promessa de Deus para conosco do que como cumprimento da nossa promessa para com ele. Quanto mais fazemos para Deus, mais lhe ficamos devedores, pois a nossa capacidade vem dele, não de nós mesmos.

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