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1 João 4:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo. "

1 João 4:17

menu_book Versículo no contexto

15 Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus.

16 E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele.

17 Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo.

18 No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.

19 Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O apóstolo já havia exortado ao santo amor com base no seu grande modelo e motivo: o amor que está no próprio Deus. Agora ele insiste mais, apresentando outros motivos, e fala dos dois lados desse amor: amor a Deus e amor ao irmão, isto é, ao nosso próximo cristão.

Amar a Deus é amar o primeiro e mais elevado de todos os seres amáveis. Nele se encontram toda beleza, excelência e bondade, e de sua mão cada outra coisa boa recebe o que nela há de amável. João diz que esse amor é recomendado por vários motivos.

Primeiro, ele dá paz e consolo firme justamente no dia em que mais precisaremos disso: o dia do juízo. “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança” (1 João 4:17). Haverá um dia em que todas as pessoas serão julgadas. Felizes os que comparecerem diante do Juiz com santa confiança, podendo levantar a cabeça porque o conhecem como amigo e advogado. Felizes os que já agora aguardam esse dia com fé e esperança.

Os que amam a Deus podem ter essa confiança, porque seu amor por ele lhes assegura o amor dele por eles e, assim, também a amizade de seu Filho. Quanto mais amamos um amigo, sobretudo quando sabemos que ele sabe disso, mais confiamos em seu amor. Sendo Deus bom, amoroso e fiel à sua promessa, podemos confiar em seu amor e nos bons frutos dele quando podemos dizer: “Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amamos”. A esperança não nos envergonha, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Romanos 5:5).

Isso pode se referir tanto ao nosso amor por Deus quanto à consciência que temos do amor dele por nós. Em qualquer dos casos, as duas coisas andam juntas. Quando realmente conhecemos e sentimos o amor de Deus por nós, esse mesmo amor desperta em nosso coração amor por ele. Então ganhamos confiança diante dele, com paz e alegria nele. Ele dará a coroa da justiça a todos os que amam a sua vinda.

Temos também ousadia em relação a Cristo porque estamos sendo feitos semelhantes a ele. “Porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” (1 João 4:17). O amor nos moldou à sua semelhança. Como ele foi o grande amante de Deus e dos homens, ele nos ensina, na nossa medida, a ser o mesmo. Ele não rejeitará a sua própria imagem. O amor também nos ensina a participar de seus sofrimentos. Sofremos por ele e com ele e, assim, podemos com razão esperar que também seremos glorificados com ele (2 Timóteo 2:12).

Em segundo lugar, o amor remove os efeitos duros do medo servil, isto é, o medo que nasce da culpa e do pavor do castigo. “No amor não há temor” (1 João 4:18). À medida que o amor se fortalece, o medo vai desaparecendo. Aqui é preciso distinguir entre o temor reverente de Deus e o estar assustado com ele. O temor reverente faz parte da verdadeira religião (1 Pedro 2:17; Apocalipse 14:7). Ele significa profundo respeito por Deus e por seu governo, e é totalmente coerente com o amor.

Mas há também um pavor medroso que nasce da culpa e de ver Deus apenas como Juiz contra o pecado. Nesse sentido, o amor lança fora o pavor. O amor vê Deus como bom, excelente e digno de ser amado. Vê Deus como o sumamente bom e o sumamente amoroso para conosco em Cristo. Assim, o amor substitui o terror pela alegria. À medida que o amor cresce, a alegria cresce junto. “O perfeito amor lança fora o temor” (1 João 4:18).

Os que de fato amam a Deus estão plenamente certos, por causa de sua natureza, de seu propósito e de sua aliança, do amor dele por eles. Por isso, estão livres de suspeitas sombrias e apavorantes sobre a justiça e o poder de Deus, como se esses estivessem contra eles. Sabem que Deus os ama e se alegram nesse amor. João raciocina claramente: aquilo que expulsa o tormento também expulsa o medo, “porque o temor tem consigo a pena” (1 João 4:18). O medo é um sentimento perturbador e doloroso, sobretudo quando é o pavor de um Deus todo-poderoso e vingador. Mas o amor perfeito leva o coração a repousar plenamente naquele a quem ama e, por isso, lança fora o medo.

Ou, no mesmo sentido: “o que teme não é perfeito em amor” (1 João 4:18). Muitas dúvidas, temores e pensamentos escuros a respeito de Deus mostram que nosso amor ainda está longe de ser completo. Devemos ansiar e caminhar em direção ao mundo do amor perfeito, em que nossa paz e alegria em Deus serão tão completas quanto o nosso amor.

Em terceiro lugar, o nosso amor tem sua origem no amor prévio de Deus. “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). O amor de Deus é a razão e a causa do nosso. Não podemos deixar de amar um Deus tão bom, que nos amou primeiro quando éramos contrários e nada amáveis, e que nos amou de tal maneira que buscou o nosso amor ao preço do sangue de seu Filho. Ele até se abaixou para rogar-nos que fôssemos reconciliados com ele. Que céu e terra se admirem de um amor assim.

O amor de Deus é também a força que produz o nosso amor. “Segundo a sua vontade, ele nos gerou”, isto é, nos deu nova vida por sua escolha livre e amorosa. Para os que amam a Deus, todas as coisas cooperam para o bem, pois são os chamados segundo o seu propósito (Romanos 8:28). Os que amam a Deus são chamados a esse amor em conformidade com seu propósito. Ele primeiro planejou conformá-los à imagem de seu Filho e, depois, os chamou eficazmente para essa vida. O amor de Deus imprimiu o amor em nossas almas. Que o Senhor continue dirigindo cada vez mais nossos corações para o amor de Deus (2 Tessalonicenses 3:5).

João então passa ao amor pelo irmão e pelo próximo cristão. Esse amor é apropriado e necessário porque está de acordo com a nossa profissão cristã. Ao professarmos o cristianismo, declaramos que amamos a Deus, que é a raiz da religião. Mas, se alguém diz que ama a Deus e, no entanto, odeia seu irmão, a quem deveria amar por amor a Deus, é mentiroso (1 João 4:20). Ele desmente, com sua conduta, a própria profissão que faz.

O apóstolo prova que tal pessoa não ama a Deus valendo-se de uma verdade comum: as pessoas tendem a amar mais facilmente o que veem do que o que não veem. “Porque aquele que não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1 João 4:20).

O que vemos com os olhos geralmente afeta mais profundamente o coração. As coisas que não vemos são mais difíceis de perceber e, assim, muitas vezes nos parecem menos próximas. Uma razão pela qual as pessoas têm dificuldade em entender a Deus é que ele é invisível. Mas no povo de Cristo pode-se ver muito da semelhança de Deus. Como, então, alguém pode odiar uma imagem visível de Deus e, ainda assim, afirmar que ama o próprio Deus, que é o original invisível?

Isso também está de acordo com o mandamento claro de Deus e com o bom senso dele: “E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão” (1 João 4:21). Assim como Deus repartiu sua semelhança em natureza e em graça, ele quer que o nosso amor se espalhe de modo adequado. Devemos amar a Deus primeiro e acima de tudo e amar o próximo nele, porque dele procedem e a ele pertencem.

Nossos irmãos em Cristo possuem uma nova natureza e preciosos dons de Deus. Deus tem interesse neles, assim como tem em nós. Por isso é justo que todo aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.

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