1 Crônicas 17 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 1 Crônicas 17 na sua vida hoje

27 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 1 Crônicas 17?

1 Crônicas 17 narra o momento em que Davi deseja construir um templo para a arca do Senhor, mas Deus, por meio do profeta Natã, revela que não será Davi quem edificará essa casa. Em vez disso, o próprio Deus promete edificar uma “casa” para Davi, estabelecendo sua descendência e um reino que permanecerá para sempre. O capítulo mostra a aliança de Deus com Davi e o coração humilde do rei, que responde com uma oração de gratidão, exaltação e confiança nas promessas divinas.

Temas principais em 1 Crônicas 17

Deus soberano nas iniciativas espirituais (versiculos 1-6)

Davi tem um desejo bom e piedoso de construir uma casa para o Senhor, mas Deus corrige amorosamente o plano, mostrando que é Ele quem toma a iniciativa e define o tempo e o modo da adoração e da obra espiritual.

Versiculos-chave: 1, 4

A graça de Deus na escolha e exaltação de Davi (versiculos 7-8)

Deus relembra a Davi sua origem humilde e como foi o Senhor quem o tirou do curral, o acompanhou em todas as batalhas e o exaltou diante das nações.

Versiculos-chave: 7, 8

Segurança e estabelecimento do povo de Deus (versiculos 9-10)

O Senhor promete dar um lugar seguro a Israel, livre da opressão dos inimigos, mostrando o cuidado contínuo de Deus com seu povo.

Versiculos-chave: 9, 10

A aliança davídica e o reino eterno (versiculos 11-14)

Deus promete edificar uma casa para Davi, levantar um descendente, estabelecer seu reino e firmar seu trono para sempre, anunciando um reinado que ultrapassa uma geração e aponta para um reino eterno.

Versiculos-chave: 11, 12, 14

Filiação, disciplina e misericórdia (versiculos 13-14)

O Senhor declara que será Pai do descendente de Davi e que sua benignidade não será retirada, diferente do que aconteceu com Saul, revelando um relacionamento de aliança marcado por amor e fidelidade.

Versiculos-chave: 13

Humildade e adoração diante das promessas (versiculos 16-27)

Diante da grandeza das promessas de Deus, Davi se coloca em oração, reconhecendo sua pequenez, exaltando a singularidade de Deus e intercedendo para que a palavra do Senhor se cumpra.

Versiculos-chave: 16, 20, 23, 24

Contexto historico e literario

1 Crônicas 17 está situado no período do reinado de Davi, após ele ter consolidado o trono em Jerusalém e ter construído seu próprio palácio de cedro. A arca da aliança já havia sido trazida para perto de Jerusalém, mas ainda permanecia em uma tenda, seguindo o padrão do tabernáculo móvel desde os dias do êxodo. Davi, como rei ungido sobre todo Israel, vive um momento de estabilidade política e militar relativa, com os inimigos sendo gradualmente subjugados.

O capítulo reapresenta, com ênfase teológica, o mesmo evento registrado em 2 Samuel 7: a aliança de Deus com Davi. O cronista escreve séculos depois, provavelmente após o exílio babilônico, para um povo que já tinha visto o templo destruído e a monarquia interrompida. Ao destacar a promessa de um trono davídico eterno, o texto alimenta a esperança de restauração e reafirma que o propósito de Deus com a casa de Davi e com Israel não foi anulado, apesar das crises históricas. Essa aliança torna-se uma peça central para a expectativa messiânica em Israel.

Estrutura de 1 Crônicas 17

  1. A intenção de Davi e a resposta inicial de Natã (17:1-2)
  • Davi observa a discrepância entre sua casa de cedro e a tenda da arca.
  • Natã, inicialmente, encoraja o plano do rei, reconhecendo a presença de Deus com ele.
  1. A correção divina e a palavra do Senhor a Natã (17:3-6)
  • Deus fala com Natã à noite, corrigindo a ideia de Davi.
  • O Senhor relembra que nunca pediu uma casa de cedro, pois habitou em tenda e tabernáculo em meio ao povo.
  1. Recordação da graça de Deus na vida de Davi (17:7-8)
  • Deus relembra como tirou Davi do curral e o tornou chefe de Israel.
  • O Senhor destaca sua presença constante e as vitórias concedidas.
  1. Promessa de segurança para Israel (17:9-10a)
  • Deus promete fixar Israel em um lugar de estabilidade.
  • Garante a derrota dos inimigos e fim da opressão como antes.
  1. A promessa da “casa” de Davi e do reino eterno (17:10b-14)
  • Deus declara que Ele mesmo edificará uma casa para Davi.
  • Promete levantar um descendente após Davi, que edificará a casa para Deus.
  • Afirma a relação de pai e filho e um trono confirmado para sempre.
  1. Natã transmite fielmente a revelação (17:15)
  • O profeta comunica a Davi toda a palavra e visão recebidas.
  1. A oração de Davi: humildade, louvor e súplica (17:16-27)
  • Davi se coloca perante o Senhor e reconhece sua indignidade.
  • Exalta a singularidade de Deus e a eleição de Israel.
  • Pede que a palavra de Deus se cumpra e que o nome do Senhor seja engrandecido.
  • Conclui com confiança na benção permanente sobre sua casa.

Significado teologico

Este capítulo é um dos textos-chave para a compreensão da aliança de Deus com Davi, frequentemente chamada de aliança davídica. Nela, Deus assume a iniciativa e promete a Davi uma “casa”, ou seja, uma dinastia, e um trono estabelecido para sempre. Isso aponta para algo maior do que apenas a continuidade da monarquia terrena: abre espaço para a expectativa de um rei ideal, justo e eterno.

A teologia do texto enfatiza que Deus não depende de estruturas físicas para manifestar sua presença. Durante séculos, o Senhor escolheu habitar em uma tenda, caminhando com o povo, sem exigir um templo de cedro. A verdadeira prioridade é o propósito de Deus na história, e não a grandiosidade de projetos humanos, por mais bem intencionados que sejam.

A promessa de um descendente que edificará a casa do Senhor e terá o trono confirmado para sempre combina um cumprimento imediato e outro mais amplo. De forma imediata, aponta para Salomão, que, de fato, construiu o templo em Jerusalém. De forma mais profunda, a linguagem de reino eterno, trono para sempre e relação de pai e filho amplia a visão para um rei definitivo, cuja realeza, justiça e presença não teriam fim.

O capítulo também ressalta a graça eletiva de Deus: Davi é lembrado de sua origem simples, tirado do curral pelo Senhor. Tudo o que ele é e tem vem da iniciativa de Deus. A resposta de Davi, com humildade e adoração, contrasta com qualquer postura de orgulho e mostra como a fé reage às promessas: reconhecendo a própria pequenez, exaltando a grandeza de Deus e pedindo que a palavra divina se cumpra integralmente.

Aplicacao restauradora e de saude mental

1 Crônicas 17 oferece um quadro poderoso para acolher pessoas que lutam com sentimentos de insuficiência, ansiedade sobre o futuro e a necessidade de controle. Davi, mesmo como rei estabelecido, experimenta o desejo de fazer algo grande por Deus, talvez misturando gratidão sincera com o peso de corresponder a tudo o que recebeu. A resposta de Deus alivia esse fardo: não é Davi que sustentará a obra de Deus; é Deus quem sustenta Davi e quem conduz a história.

O texto traz consolo ao mostrar que os planos humanos, mesmo os bons, podem ser reorientados por Deus sem que isso signifique rejeição. A correção dada a Davi não é punição, mas redirecionamento amoroso. Isso pode aliviar culpas e frustrações em quem sente que “não conseguiu fazer o suficiente” ou viu projetos importantes serem interrompidos.

A lembrança da trajetória de Davi — tirado de um lugar simples, protegido em meio a inimigos, estabelecido por graça — ajuda a trabalhar autoestima e identidade. O valor não está na posição social ou nas obras realizadas, mas no cuidado constante e fiel de Deus.

A promessa de segurança para o povo e de uma casa estabelecida para Davi traz estabilidade emocional: o futuro não está solto, está nas mãos de um Deus que faz promessas e as cumpre. A oração de Davi, permeada por reconhecimento, louvor e pedido de confirmação da palavra de Deus, modela um caminho de regulação emocional: em vez de explodir em ansiedade, o coração se volta a Deus, relembra quem Ele é, o que Ele já fez, e encontra descanso na fidelidade divina.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas leituras podem gerar dificuldades emocionais e espirituais se forem interpretadas de forma distorcida:

  1. Sensação de inferioridade ou inutilidade: a negativa de Deus à proposta de Davi pode ser mal compreendida como rejeição pessoal, especialmente por pessoas com baixa autoestima ou histórico de rejeição. O texto, porém, mostra que Deus está honrando Davi e lhe dando uma promessa ainda maior.

  2. Triunfalismo e expectativas irreais: as promessas de vitória sobre inimigos e de um trono para sempre podem ser lidas como garantia de que pessoas de fé nunca sofrerão perdas, derrotas ou injustiças. Isso pode levar à frustração espiritual quando a realidade envolve dor e limitações.

  3. Comparações dolorosas: a escolha de Davi, sua exaltação e a eleição de Israel como “única gente na terra” podem ser usadas para alimentar sentimentos de exclusão ou de inferioridade em quem não se sente “escolhido” ou bem-sucedido.

  4. Pressão espiritual por resultados grandiosos: o foco na grandeza das obras de Deus por meio de Davi e sua descendência pode alimentar a ideia de que apenas projetos grandiosos têm valor. Pessoas já pressionadas por perfeccionismo podem se ver ainda mais sobrecarregadas.

Leituras sensíveis devem enfatizar a graça, o amor paternal de Deus, e o fato de que Ele é quem conduz a história, para que o texto sirva de consolo e não de peso adicional.

Aplicacao pratica para hoje

  1. Reconhecer limites e aceitar o direcionamento de Deus: Davi quer construir um templo, mas Deus mostra que esse não é o papel dele. Há situações em que a pessoa tem um desejo legítimo e piedoso, mas o chamado específico de Deus é outro. Isso inspira a aprender a entregar projetos, aceitar redirecionamentos e confiar que Deus sabe melhor o tempo e o modo de cada coisa.

  2. Lembrar a trajetória como expressão da graça: Deus relembra Davi de onde ele veio. De modo semelhante, revisar a própria história à luz do cuidado de Deus — portas que se abriram, livramentos, pessoas enviadas — ajuda a cultivar gratidão em vez de orgulho ou ingratidão.

  3. Buscar segurança em Deus, não em circunstâncias: a promessa de um lugar estabelecido para Israel aponta para um tipo de segurança mais profundo do que estabilidade política. Na prática, isso se traduz em aprender a não fundamentar a paz interior apenas em trabalho, finanças ou relacionamentos, mas na fidelidade de Deus.

  4. Responder às promessas com oração e não com passividade: Davi não usa a promessa como motivo para acomodação, mas como base para uma oração cheia de fé: “faze como falaste”. Uma aplicação prática é transformar promessas bíblicas e convicções recebidas em tempo de oração, intercedendo para que se cumpram.

  5. Cultivar humildade mesmo em posição elevada: mesmo como rei, Davi pergunta “Quem sou eu, Senhor Deus?”. Em qualquer contexto de liderança, influência ou conquista, essa atitude protege contra arrogância e ajuda a manter o coração sensível a Deus e às pessoas.

  6. Manter o foco na glória de Deus: Davi ora para que o nome do Senhor seja engrandecido para sempre, e não apenas sua própria casa. Na vida diária, isso se traduz em orientar decisões, planos e conquistas de modo que apontem para Deus, e não apenas para a própria imagem ou legado.

Perguntas frequentes

Por que Deus não permitiu que Davi construísse o templo?

Em 1 Crônicas 17, Deus deixa claro que não foi Ele quem pediu uma casa de cedro e que, até então, escolhera habitar em tenda no meio do povo. O foco não é uma reprovação ao coração de Davi, mas uma definição do papel e do tempo de cada um. Em outros textos, a Escritura associa Davi a guerras e sangue derramado, enquanto o templo seria construído em tempos de paz por seu filho. Assim, Deus honra Davi ao mesmo tempo em que reserva a construção do templo para outra geração.

O que significa Deus prometer uma “casa” para Davi?

A palavra “casa” é usada aqui não apenas no sentido de construção física, mas como símbolo de família e dinastia. Deus está prometendo que Davi terá uma descendência estabelecida e um trono que permanecerá. A aliança inclui a continuidade do seu reino em Israel e, em perspectiva mais ampla, aponta para um reinado eterno ligado à sua linhagem.

Quem é o descendente mencionado em 1 Crônicas 17:11-12?

No contexto imediato, o descendente é um dos filhos de Davi, identificado na história bíblica como Salomão, que de fato edificou o templo em Jerusalém. No entanto, a linguagem de um reino e trono estabelecidos “para sempre” vai além de qualquer rei terreno isolado e abre caminho para a expectativa de um rei definitivo, perfeito e eterno, associado à linhagem de Davi.

O que significa Deus dizer “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho”?

Essa expressão descreve uma relação de aliança especial entre Deus e o rei da linhagem de Davi. O rei é visto como filho adotivo de Deus em termos de função, representando o povo e o governo de Deus na terra. Ao mesmo tempo, a expressão reforça o cuidado, a disciplina e a fidelidade de Deus: Ele se relaciona com o rei não apenas como soberano, mas com amor paternal.

Como entender a promessa de um trono “para sempre” se a monarquia em Judá acabou?

Historicamente, a linha visível dos reis davídicos chegou ao fim com o exílio. Porém, a promessa de Deus é apresentada como incondicional em sua intenção última. Isso levou o povo de Israel a esperar um futuro descendente de Davi que restauraria o reino de forma plena e definitiva. A idéia é que, mesmo quando as estruturas humanas falham, o plano de Deus permanece e se cumpre no tempo determinado por Ele.

Por que Davi se considera tão pequeno diante das promessas de Deus?

Davi lembra que veio de uma origem simples e percebe que tudo o que aconteceu em sua vida foi fruto da graça e iniciativa de Deus. Ao ouvir que sua casa seria estabelecida para sempre, ele reconhece que isso é muito maior do que qualquer mérito pessoal. Sua humildade é uma resposta natural à grandeza de Deus e à consciência de que tudo é dom, não conquista própria.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

1 Crônicas 17 mostra um coração que ama a Deus e, ao mesmo tempo, um Deus que cuida de um coração humano. Davi olha para sua casa de cedro e sente um incômodo por ver a arca do Senhor ainda em uma tenda. Existe ali um desejo sincero de honrar a Deus, algo que nasce da gratidão. No entanto, Deus o surpreende, não aceitando sua proposta, mas oferecendo algo ainda maior: não será Davi que fará uma casa para Deus; será Deus que fará uma casa para Davi. Para um coração sensível, essa inversão é muito significativa. Muitas pessoas carregam a sensação de que precisam “retribuir” o que Deus fez, de que devem realizar algo grandioso para justificar o amor que receberam. Quando isso não acontece, podem sentir culpa, frustração ou até vergonha. Neste capítulo, Deus mostra que o amor dEle não depende da grandeza das realizações humanas. Ele relembra Davi de onde o tirou, como o acompanhou e o guardou, como se dissesse: “Eu sempre estive com você, antes de qualquer plano seu”. Há também uma ternura especial na forma como Deus fala de Israel e da casa de Davi. O povo é descrito como resgatado, guardado, colocado em lugar seguro. A casa de Davi é prometida como algo que permanecerá. No meio de tantas incertezas e medos que atravessam o coração humano, esse cuidado contínuo comunica segurança afetiva: não um amor instável, mas uma aliança que não é quebrada por fragilidades. A reação de Davi é profundamente emocional: ele entra na presença do Senhor, se pergunta quem ele é para receber tanto e se derrama em palavras de admiração. É o movimento de um coração que, diante da graça, se rende em gratidão, não em resistência. Esse capítulo acolhe pessoas com o coração cansado de tentar “merecer” algo de Deus, mostrando que a história começa e termina com a iniciativa amorosa de Deus, não com a capacidade humana. Em vez de cobrança, há convite à confiança. Em vez de exigência, há promessa e cuidado que permanecem.

Mind
Mind

Do ponto de vista da compreensão bíblica, 1 Crônicas 17 é um dos textos centrais para a teologia da aliança davídica. Ele ecoa e desenvolve o relato paralelo de 2 Samuel 7, mas o faz com ênfases próprias do cronista: foco na promessa, na eleição de Israel e na natureza eterna do trono de Davi. O capítulo começa com uma tensão entre intenção humana e vontade divina. Davi percebe a incongruência entre seu palácio de cedro e a tenda da arca, e Natã inicialmente aprova a ideia com base em uma percepção geral da presença de Deus com Davi. Entretanto, a revelação específica de Deus, recebida naquela mesma noite, corrige essa aprovação. Isso mostra que, na teologia bíblica, a experiência e a intuição, mesmo piedosas, precisam ser submetidas à palavra clara de Deus. Em seguida, Deus recapitula a história: não habitou em casa fixa desde o êxodo, não pediu um templo aos juízes e sempre conduziu o povo em mobilidade. Esse retrospecto historiciza a fé: o cronista relembra que a presença de Deus acompanhou o povo em jornadas, e que o culto não depende de estruturas monumentais. Além disso, Deus destaca sua própria ação na vida de Davi, tirando-o do curral e dando-lhe nome entre os grandes da terra. O rei, por mais importante que seja, é apresentado como fruto da escolha e da condução divina. O coração teológico do capítulo está em 17:10b-14: a inversão da lógica de Davi. O rei queria construir uma casa para Deus; Deus promete construir uma “casa” (dinastia) para Davi. Essa casa inclui um descendente que virá após sua morte, cujo reino será estabelecido. Ele edificará uma casa para Deus, e seu trono será confirmado para sempre. A expressão de filiação (“Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho”) define a relação entre Deus e esse rei como uma relação de aliança especial, marcada por disciplina, mas sobretudo pela permanência da benignidade divina. Exegética e teologicamente, é importante notar dois níveis de cumprimento: (1) um nível histórico-imediato, que aponta para Salomão, responsável pela construção do templo; (2) um nível escatológico, sugerido pela linguagem de eternidade e pela ênfase na confirmação perpétua da casa e do trono. Essa abertura para um cumprimento maior alimenta a expectativa messiânica e conecta 1 Crônicas 17 à ampla temática bíblica de um reino definitivo e eterno. A oração de Davi (17:16-27) funciona como resposta litúrgica à revelação. Ela é estruturada em movimentos claros: reconhecimento da própria pequenez, exaltação da singularidade de Deus, celebração da eleição de Israel e pedido explícito para que a palavra divina se cumpra. A teologia da oração aqui é notável: a oração não tenta mudar a promessa de Deus, mas se alinha a ela, pedindo que se concretize. Assim, o capítulo ensina tanto sobre a natureza da aliança de Deus com Davi quanto sobre a postura adequada do ser humano diante da revelação: humildade, adoração e confiança na fidelidade de Deus à própria palavra.

Life
Life

1 Crônicas 17 atravessa temas muito práticos da vida real: planos, frustrações, identidade, segurança e o que significa ter uma vida bem-sucedida. Davi vive um momento de estabilidade: tem casa de cedro, autoridade consolidada e reconhecimento. Nesse cenário, ele sente o desejo de fazer algo grande por Deus, o que lembra a fase em que alguém, depois de estabilizar carreira ou família, quer “devolver” algo em forma de serviço ou projeto marcante. Mas o texto mostra que nem todo plano, mesmo bem intencionado, será aquele que Deus quer para a pessoa. Deus não permite que Davi construa o templo, e isso não é um rebaixamento, mas um reposicionamento. Para a prática diária, isso ensina que não se trata só de ter boas intenções, mas de discernir o próprio papel. Há obras que cabem a uma geração e não a outra; projetos que Deus reserva para outras pessoas, enquanto chama alguém a fazer algo diferente, às vezes mais discreto, mas igualmente importante. Outro aspecto prático é a forma como Deus lida com a autoestima de Davi. Em vez de alimentar orgulho pelo palácio de cedro, Deus relembra a origem do rei: do curral ao trono. Isso ajuda a manter os pés no chão. Na vida profissional, familiar ou ministerial, revisar esse caminho evita que conquistas se transformem em motivo de soberba, e protege contra a ilusão de autossuficiência. A promessa de segurança para Israel e de um trono estabelecido para Davi toca o tema da ansiedade com o futuro. Muitas pessoas vivem tentando garantir, por conta própria, a estabilidade dos filhos, da empresa, do casamento ou da carreira. Neste capítulo, Deus afirma que Ele mesmo terá o cuidado de plantar seu povo e de edificar a casa de Davi. Na prática, isso não incentiva irresponsabilidade, mas convida a trabalhar sem carregar o peso de controlar todos os resultados. Há um limite até onde se pode planejar; o resto pertence ao governo de Deus. A oração de Davi oferece ainda um modelo de como reagir às promessas e às mudanças de plano. Ele não discute, não força sua ideia inicial, nem se ressente por não ser o construtor do templo. Em vez disso, entra na presença de Deus, reconhece sua pequena condição, exalta quem Deus é e pede que a palavra do Senhor se cumpra. Em termos práticos, isso inspira uma postura madura diante de redirecionamentos: em vez de se apegar a um plano frustrado, realinhar o coração e os projetos àquilo que, à luz da Palavra, Deus está claramente conduzindo. Assim, a vida se organiza menos em torno do “que eu queria fazer” e mais em torno do “que Deus quer realizar, usando quem sou e onde Ele me colocou”.

Soul
Soul

Em 1 Crônicas 17, o foco se desloca de uma construção feita por mãos humanas para um projeto eterno da parte de Deus. A questão central não é o templo que Davi deseja erguer, mas a “casa” que Deus promete edificar para Davi: uma linhagem, um reino e um trono estabelecidos para sempre. Esse movimento faz o olhar sair do imediato e terreno e se voltar para a dimensão do propósito eterno. A promessa de um descendente que teria uma relação de filho com Deus e um trono confirmado para sempre toca diretamente o tema do governo de Deus sobre a história. O capítulo anuncia que, por trás das mudanças políticas, conquistas militares e crises nacionais, existe um plano de longo prazo: Deus está estabelecendo um reino que não depende da força humana. Para a alma, isso significa que o sentido último da vida não está nas estruturas visíveis, que podem ser erguidas e derrubadas, mas no reinado de Deus que avança segundo as promessas dEle. O modo como Deus fala a Davi também revela a maneira como o propósito divino se relaciona com a humanidade: não como um mecanismo frio, mas como uma aliança pessoal. Deus se apresenta como aquele que tirou Davi do curral, que o acompanhou, que o fez grande. Ele promete ser Pai do descendente e manter sua benignidade. Essa linguagem de filiação aponta para um tipo de vida em que o ser humano é integrado ao propósito eterno não como peça descartável, mas como filho acolhido. A oração de Davi, por sua vez, é uma resposta espiritualmente madura a essa visão. Ele se coloca diante do Senhor, reconhecendo que a história de sua vida é pequena diante da grandeza do plano de Deus. Sua pergunta “Quem sou eu, Senhor Deus?” não é crise de identidade destrutiva, mas um espanto reverente diante de um chamado que ultrapassa sua própria geração. Ele aceita que o que Deus está fazendo por meio de sua casa alcança tempos distantes, muito além de sua experiência imediata. Nesse sentido, o capítulo convida a enxergar a própria existência como parte de algo que não termina com a morte e nem se limita ao agora. O trabalho, a família, as lutas e as conquistas se tornam capítulos de uma narrativa maior, em que Deus está conduzindo a história rumo a um reino definitivo. A alma encontra descanso quando percebe que não precisa escrever sozinha o enredo, mas se alinhar à palavra de Deus, como Davi fez, pedindo apenas que Ele “faça como falou”. A verdadeira segurança espiritual não está em construir grandes obras para Deus, mas em ser incluído, pela graça, no que Deus está construindo para sempre.

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Versiculos em 1 Crônicas 17

1 Crônicas 17:1

" Sucedeu, pois, que, morando Davi já em sua casa, disse ao profeta Natã: Eis que moro em casa de cedro, mas a arca da aliança do SENHOR está debaixo de cortinas. "

1 Crônicas 17:5

" Porque em casa nenhuma morei, desde o dia em que fiz subir a Israel até ao dia de hoje; mas fui de tenda em tenda, e de tabernáculo em tabernáculo. "

1 Crônicas 17:6

" Por todas as partes por onde andei com todo o Israel, porventura falei alguma palavra a algum dos juízes de Israel, a quem ordenei que apascentasse o meu povo, dizendo: Por que não me edificais uma casa de cedro? "

1 Crônicas 17:7

" Agora, pois, assim dirás a meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu te tirei do curral, de detrás das ovelhas, para que fosses chefe do meu povo Israel. "

1 Crônicas 17:8

" E estive contigo por toda a parte, por onde foste, e de diante de ti exterminei todos os teus inimigos, e te fiz um nome como o nome dos grandes que estão na terra, "

1 Crônicas 17:9

" E ordenarei um lugar para o meu povo Israel, e o plantarei, para que habite no seu lugar, e nunca mais seja removido de uma para outra parte; e nunca mais os filhos da perversidade o debilitarão como dantes, "

1 Crônicas 17:10

" E desde os dias em que ordenei juízes sobre o meu povo Israel. Assim abaterei a todos os teus inimigos; também te faço saber que o Senhor te edificará uma casa. "

1 Crônicas 17:11

" E há de ser que, quando forem cumpridos os teus dias, para ires a teus pais, suscitarei a tua descendência depois de ti, um dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino. "

1 Crônicas 17:13

" Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e a minha benignidade não retirarei dele, como a tirei daquele, que foi antes de ti. "

1 Crônicas 17:16

" Então entrou o rei Davi, e ficou perante o Senhor; e disse: Quem sou eu, Senhor Deus? e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui? "

1 Crônicas 17:17

" E ainda isto, ó Deus, foi pouco aos teus olhos; pelo que falaste da casa de teu servo para tempos distantes; e trataste-me como a um homem ilustre, ó Senhor Deus. "

1 Crônicas 17:19

" Ó Senhor, por amor de teu servo, e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza, para fazer notória todas estas grandes coisas. "

1 Crônicas 17:19 mostra Davi reconhecendo que tudo o que Deus fez por ele vem do amor e do propósito de Deus, não do próprio …

Ler analise completa

1 Crônicas 17:21

" E quem há como o teu povo Israel, única gente na terra, a quem Deus foi resgatar para seu povo, fazendo-te nome com coisas grandes e temerosas, lançando as nações de diante do teu povo, que resgataste do Egito? "

1 Crônicas 17:24

" Confirme-se e engrandeça-se o teu nome para sempre, e diga-se: O Senhor dos Exércitos é o Deus de Israel, é Deus para Israel; e permaneça firme diante de ti a casa de Davi, teu servo. "

1 Crônicas 17:25

" Porque tu, Deus meu, revelaste ao ouvido de teu servo que lhe edificarias casa; pelo que o teu servo achou confiança para orar em tua presença. "

1 Crônicas 17:27

" Agora, pois, foste servido abençoar a casa de teu servo, para que permaneça para sempre diante de ti: porque tu, Senhor, a abençoaste, e ficará abençoada para sempre. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.