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Salmos 36:5 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Confie ao Senhor a sua sorte, espere nele, e ele agirá. "

Salmos 36:5

menu_book Versículo no contexto

3 Espere no Senhor e faça o bem; você habitará a terra em plena segurança.

4 Ponha suas delícias no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração.

5 Confie ao Senhor a sua sorte, espere nele, e ele agirá.

6 Como a luz, ele fará brilhar a sua justiça; e, como o sol do meio-dia, o seu direito.

7 Em silêncio, abandone-se ao Senhor; ponha sua esperança nele. Não inveje o que prospera em suas empresas e leva a bom termo seus maus desígnios.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Davi tinha acabado de contemplar, com tristeza, a impiedade dos ímpios. Agora ele levanta os olhos, consolado, para a bondade de Deus, e esse contraste é apropriado. A visão do pecado humano é escura e dolorosa, mas o pensamento sobre o caráter de Deus é claro e revigorante.

Ele começa refletindo sobre a graça de Deus, e inicia na própria natureza divina. Entre as pessoas, muitas vezes temos de lamentar que não haja verdade nem misericórdia, nem justiça nem juízo reto (Oséias 4:1; Isaías 5:7). Mas em Deus não há falha alguma. Tudo o que falta ou é torto no mundo, não falta nem é torto naquele que o governa.

A misericórdia de Deus é sem limites. “A tua misericórdia, Senhor, está nos céus.” Se as pessoas fecham o coração para nós, ainda assim podemos achar misericórdia no trono da graça de Deus. Quando outros planejarem o mal contra nós, os pensamentos de Deus a nosso respeito, se permanecermos perto dele, são pensamentos de bem. Na terra encontramos pouco contentamento e muitos problemas, mas no céu, onde a misericórdia de Deus reina plena e eternamente, há plena satisfação.

Por isso, por mais que o mundo piore, nunca devemos pensar pior de Deus nem do seu governo. Em vez disso, os pecados dos homens devem nos levar a admirar a paciência de Deus. Ele suporta aqueles que o ofendem abertamente e, mesmo assim, ainda lhes envia sol e chuva. Se a misericórdia de Deus não fosse infinitamente maior do que a de qualquer criatura, ele já teria afogado o mundo novamente há muito tempo. Veja (Isaías 55:8-9) e (Oséias 11:9).

Deus também é perfeitamente fiel. “E a tua fidelidade chega até às mais excelsas nuvens.” Ainda que ele permita que os ímpios façam muito mal por um tempo, continuará fiel às suas advertências contra o pecado, e chegará o dia do acerto de contas. Ele também é fiel ao seu concerto, isto é, sua promessa vinculante, com o seu povo. Nenhum inimigo na terra ou no inferno pode anular uma só parte dessas promessas. Isso é grande consolo para os piedosos, pois os homens podem mentir, mas Deus não mente.

Sua fidelidade é excelsa e imutável. Alguns entendem as palavras como indicando que ela se eleva acima das nuvens, além de todo o clima variável deste mundo inferior. As promessas humanas muitas vezes mudam conforme as circunstâncias, mas a palavra de Deus não muda.

Deus também é completamente justo e reto. “A tua justiça é como as grandes montanhas.” Ela é firme, inabalável e claramente visível para todos. Nenhuma verdade é mais evidente do que esta: o Senhor é justo em todos os seus caminhos, e nunca fez, nem jamais fará, injustiça a qualquer de suas criaturas. Mesmo quando nuvens e escuridão o cercam, a justiça e o direito habitam o lugar do seu trono (Salmo 97:2).

Sua sabedoria também está além de nossa plena compreensão. “Os teus juízos são um grande abismo.” Suas decisões não podem ser medidas por mente humana alguma, assim como um mar profundo não pode ser medido por uma pequena corda. Seu poder é soberano, isto é, ele não deve explicações a ninguém, e seu modo de agir é muitas vezes estranho e oculto. “O seu caminho está no mar, e as suas veredas nas grandes águas.” Sabemos que ele faz todas as coisas de modo sábio e bom, mas ainda não sabemos por que ele faz cada coisa. Isso ficará claro no tempo vindouro.

Em seguida, o salmista se volta para o cuidado de Deus com todos os seres vivos. “Tu conservas os homens e os animais.” Deus faz mais do que protegê-los do mal, ele lhes dá o que precisam para viver. Até os animais, embora não possam conhecê-lo ou louvá-lo como as pessoas, ainda assim são alimentados pela sua bondade. Seus olhos se voltam para ele, e ele lhes dá o mantimento em tempo oportuno.

Por isso não devemos nos espantar que Deus dê alimento aos ímpios, pois ele alimenta também os animais. E não devemos temer que falte provisão para seus próprios filhos. O Deus que sustenta até os filhotes dos leões não deixará seu povo passar fome.

Na parte final, o salmo fala do favor especial de Deus a seus santos, seu povo fiel. Eles são atraídos pela grandeza da sua benignidade a confiar debaixo da sombra de suas asas. A benignidade de Deus é preciosa para eles. Eles provam sua doçura e veem que nada neste mundo é tão amável ou desejável. Aqueles que não admiram a benignidade de Deus não o conhecem de fato, e os que não a desejam ardentemente não se conhecem a si mesmos de verdade.

Por valorizarem o seu amor, depositam plena confiança nele. Aproximam-se dele em busca de proteção e então ficam seguros e em descanso, como pintinhos debaixo das asas da galinha (Mateus 23:37). Essa também foi a figura usada para aqueles que se uniam ao Deus de Israel (Rute 2:12). Nada atrai tão fortemente o coração quanto a beleza da benignidade de Deus.

Seu privilégio é grande. Verdadeiramente felizes são os que têm o Senhor por seu Deus, porque nele eles têm, ou podem ter, ou terão, plena felicidade. Seus desejos serão atendidos. Serão abundantemente saciados com a gordura da casa de Deus, com as suas necessidades supridas e suas almas cheias. Em Deus, que é tudo-suficiente, terão o bastante para toda necessidade de uma alma esclarecida e alargada.

Os prazeres deste mundo e as alegrias dos sentidos nunca podem satisfazer de verdade. Mas os dons do favor e da graça de Deus satisfazem. Uma alma graciosa pode desejar ter sempre mais de Deus, mas nunca deseja nada mais do que o próprio Deus. Mesmo os dons da Providência, o cuidado diário de Deus, são suficientes para torná-la contente com o que possui. “Tenho tudo, e em abundância” (Filipenses 4:18). A bênção do culto santo faz parte da gordura da casa de Deus, é doce para a alma santa e fortalece a vida espiritual.

Ainda assim, a satisfação plena e transbordante está reservada para a vida por vir, na casa não feita por mãos, eterna nos céus. Ali, todo vaso será cheio. Suas alegrias também serão firmes, pois Deus os fará beber do rio das suas delícias. Ali existem prazeres verdadeiramente divinos.

Esses prazeres são deles não só porque vêm de Deus como doador, mas porque terminam em Deus como centro e alvo. Sendo espirituais, são como as alegrias do povo glorificado no céu e até refletem algo do deleite da mente eterna de Deus.

Há também um rio dessas delícias. Está sempre cheio, sempre novo e sempre fluindo. Há o bastante para todos e o bastante para cada um, como diz (Salmo 46:4). Os prazeres do corpo são como água de poça suja e estragada, mas os prazeres da fé são puros e doces, claros como cristal (Apocalipse 22:1).

Deus não apenas preparou esse rio de delícias para o seu povo, como também os faz beber dele. Ele lhes dá santo desejo por essas alegrias e, por seu Espírito, enche suas almas de gozo e paz na medida em que nele confiam. No céu, continuarão bebendo para sempre dessas delícias à destra de Deus, plenamente saciados de alegria (Salmo 16:11).

Vida e luz serão sua bênção e herança eternas (Salmo 36:9). Tendo o próprio Deus como sua felicidade, eles têm nele a fonte da vida, de onde fluem todos aqueles rios de delícias (Salmo 36:8). O Deus da natureza é a fonte da vida natural. Nele vivemos, nos movemos e existimos. O Deus da graça é a fonte da vida espiritual. Toda a força e consolo de uma alma santa, e todos os seus bons desejos, capacidades e ações, vêm de Deus.

Ele é a nascente e o autor de todo verdadeiro senso das coisas divinas e de todo movimento em direção a elas. Ele dá vida a quem quer, e quem quiser pode chegar e tomar de graça da água da vida. Ele também é a fonte da vida eterna. A alegria dos crentes glorificados consiste em vê-lo e desfrutá-lo, e em receber seu amor diretamente, sem interrupção e sem temor de que termine.

Nele eles têm também perfeita luz, que inclui sabedoria, conhecimento e alegria. “Na tua luz veremos a luz” significa isto: no conhecimento de Deus agora pela graça, e na visão dele depois na glória, nossa mente encontrará plena satisfação. A luz divina que resplandece nas Escrituras, especialmente no rosto de Cristo, luz do mundo, contém toda a verdade. Quando virmos Deus face a face, além do véu, veremos a luz em sua plenitude. Então saberemos o suficiente, como ensinam (1 Coríntios 13:12) e (1 João 3:2).

Significa também que, na comunhão com Deus agora, pela graça que ele nos concede e pela resposta de amor que lhe damos, e depois, no céu, pelo pleno desfrute dele, teremos completa felicidade e satisfação. No seu favor temos todo o bem que poderíamos desejar. Este mundo é escuro e nele achamos pouco consolo. Mas no céu há verdadeira luz, sem falsos brilhos e sem luz que se apague. Aqui conhecemos e desfrutamos Deus por meio das coisas criadas e de instrumentos, mas no céu o próprio Deus estará conosco (Apocalipse 21:3), e o veremos e desfrutaremos diretamente.

A partir desses pensamentos, Davi passa à oração, intercessão e santa confiança. Ele ora primeiro por todos os crentes, pedindo que sempre conheçam o consolo do favor e da graça de Deus (Salmo 36:10). As pessoas por quem ele ora são as que conhecem a Deus, que convivem com ele, o reconhecem e o tomam como seu, os retos de coração, sinceros na religião e fiéis tanto para com Deus quanto para com o próximo. Os que não são retos diante de Deus não o conhecem de fato como deveriam.

O que ele pede para eles é a benignidade de Deus, isto é, as evidências do seu favor para com eles, e a sua justiça, isto é, a operação de sua graça neles. Ou essas expressões podem ser entendidas como a benignidade e a justiça de Deus enquanto bondade empenhada em promessas, sua misericórdia e sua verdade. Ele pede que essa bênção permaneça, estendendo-se até a própria eternidade. A alegria dos santos no céu será perfeita, e ainda assim sempre em santo crescimento, porque ali a fonte está sempre cheia e os riachos sempre fluindo. Nestas coisas há permanência duradoura (Isaías 64:5).

Depois ele ora por si mesmo, para que seja guardado em sua integridade e em seu consolo (Salmo 36:11). “Não venha sobre mim o pé dos soberbos”, ou seja, não permitas que os orgulhosos me façam tropeçar ou me esmaguem. “E não me mova a mão dos ímpios”, isto é, não deixes que os perversos que se opõem a mim consigam afastar-me da pureza e integridade por meio da tentação, nem da paz e do consolo por meio da tribulação. Que os que pelejam contra Deus jamais triunfem sobre os que desejam apegar-se firmemente a ele.

Os que já provaram a alegria da comunhão com Deus não podem deixar de desejar que nada jamais os separe dele. Davi também se alegra na esperança da queda final de todos os seus inimigos, no tempo de Deus (Salmo 36:12). “Ali”, precisamente onde pensavam que me venceriam, “caíram”, presos no laço que haviam armado para mim. Alguns entendem isso como referência ao mundo vindouro, onde os santos permanecem em juízo e têm lugar na casa de Deus, enquanto os praticantes do mal são abatidos em juízo, lançados no inferno, no abismo sem fundo, de onde jamais se levantarão, debaixo do peso da ira e da maldição de Deus.

É verdade que não devemos nos alegrar com a queda de um inimigo em particular. Mas a destruição final de todos os que praticam o mal será o triunfo duradouro dos santos glorificados.

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