Versículo em destaque
Salmos 16:8 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Guarda-me como a pupila dos olhos, esconde-me à sombra das tuas asas, "
Salmos 16:8
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
6 Eu te invoco, pois me atenderás, Senhor; inclina teus ouvidos para mim, escuta minha voz.
7 Mostra tua admirável misericórdia, tu que salvas dos adversários os que se acolhem à tua direita.
8 Guarda-me como a pupila dos olhos, esconde-me à sombra das tuas asas,
9 longe dos pecadores que me querem fazer violência. Meus inimigos me rodeiam com furor.
10 Seu coração endurecido se fecha à piedade; só têm na boca palavras arrogantes.
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Todos esses versículos são citados por Pedro em seu primeiro sermão depois que o Espírito foi derramado no Pentecostes (Atos 2:25-28). Ali ele declara claramente que Davi está falando de Cristo, especialmente da ressurreição de Cristo. Também podemos admitir que Davi expressava ali sua própria confiança sincera em Deus, apoiando-se na graça de Deus para completar tudo o que dizia respeito à sua vida e olhando para a bendita esperança e para a vida de alegria além da morte, na presença de Deus. Mas, nesses pensamentos santos, o Espírito de profecia levou Davi além de si mesmo e da sua situação particular, de modo que ele predisse a glória do Messias com palavras que se ajustam somente a Cristo.
O Novo Testamento nos dá a chave para abrir essas linhas. Esses versículos precisam ser aplicados a Cristo. O profeta aqui fala dele, como tantos profetas do Antigo Testamento, quando testificaram de antemão os sofrimentos de Cristo e a glória que se lhes havia de seguir (1 Pedro 1:11). Esse é o assunto desta profecia. Estava predito, como o próprio Cristo mostrou a partir desta passagem e de outras nos Salmos (Lucas 24:44, Lucas 24:46), que ele sofreria, morreria e ressuscitaria dentre os mortos (1 Coríntios 15:3, 1 Coríntios 15:4).
Em primeiro lugar, está implícito que Cristo sofreria e morreria. Quando ele diz: “Não vacilarei” (Salmo 16:8), fala como alguém que seria duramente atingido e sofreria um grande abalo, como de fato aconteceu em sua agonia, quando sua alma ficou profundamente angustiada e ele orou para que, se possível, o cálice passasse dele. Quando ele diz: “Minha carne repousará”, isso implica que deitaria de lado o seu corpo e assim passaria pelas dores da morte. Também significa claramente que sua alma seria separada do corpo, e que o corpo, ficando para trás, estaria sujeito à possibilidade de corrupção, de forma que ele não apenas morreria, mas seria sepultado e permaneceria por um tempo sob o poder da morte.
Em segundo lugar, ele seria maravilhosamente sustentado pelo poder de Deus em seu sofrimento e em sua morte. Ele não seria abalado, isto é, não seria afastado de sua obra nem esmagado pelo peso dela. Não desfaleceria nem se quebrantaria (Isaías 42:4), mas prosseguiria e continuaria até poder dizer: “Está consumado”. Embora a obra fosse árdua e a batalha intensa, e ele pisasse sozinho o lagar, não foi abalado. Não abandonou a causa, mas firmou o rosto como um seixo (Isaías 50:7-9). Ele pôde dizer: “Se é a mim que buscais, deixai ir estes”.
Mais do que isso, seu coração se alegraria e a sua glória exultaria. Ele prosseguiria não só com firmeza, mas com alegria, com profunda satisfação interior. Vemos isso em palavras como: “Já não estou mais no mundo, mas eles ficam no mundo, e eu vou para ti” (João 17:11), e: “Não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (João 18:11). Por “minha glória” entende-se a sua língua, como mostra Atos 2:26. Nossa língua é a nossa glória, e é verdadeiramente gloriosa quando é usada para louvar a Deus.
Três coisas o sustentaram e o fizeram seguir adiante com tanta alegria. Primeiro, ele mantinha sempre diante de si a vontade e a glória do Pai: “Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim”. Ele mantinha o olhar fixo no mandamento do Pai (João 10:18, João 14:31), na vontade daquele que o enviou. Ele visava à honra do Pai e à restauração do reino de Deus entre os homens, e isso o preservava de ser abalado pelas aflições que enfrentava, porque sempre fazia o que agradava ao Pai.
Segundo, ele tinha a certeza da presença do Pai com ele no sofrimento: “Por isso que ele está à minha mão direita”. Deus era socorro bem presente, perto no tempo da angústia. Ele está perto para justificar, isto é, para mostrar que estou no direito (Isaías 50:8). Está à minha mão direita para guiar e fortalecer, e para me sustentar (Salmo 89:21). Quando Cristo estava em agonia, um anjo foi enviado do céu para o fortalecer (Lucas 22:43). As vitórias e triunfos da cruz dependeram inteiramente disso. Foi o Senhor à sua direita que feriu os reis (Salmo 110:5; Isaías 42:1, Isaías 42:2).
Terceiro, ele olhava adiante para o resultado glorioso dos seus sofrimentos. Foi “pela alegria que lhe estava proposta” que suportou a cruz (Hebreus 12:2). Ele repousou em esperança, e isto tornou o seu repouso glorioso (Isaías 11:10). Sabia que seria justificado pelo Espírito na ressurreição e então logo seria glorificado. Veja João 13:31, João 13:32.
Em terceiro lugar, ele seria conduzido através dos seus sofrimentos e libertado da morte por uma ressurreição gloriosa. “Não deixarás a minha alma no inferno” significa que o seu espírito humano não ficaria, como os espíritos de outras pessoas, por muito tempo em estado de separação do corpo. Em pouco tempo voltaria e seria de novo unido ao corpo, para nunca mais ser separado. “Nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” quer dizer que, por ser o Santo de Deus de modo especial, separado para a obra da redenção e totalmente livre de pecado, seu corpo não se corromperia. Isso significa mais do que simplesmente que ressuscitaria do túmulo. Significa que ressuscitaria tão depressa que o corpo nem sequer começaria a apodrecer, o que naturalmente aconteceria se ele não tivesse ressuscitado ao terceiro dia.
Nós, que temos tanta corrupção em nossas almas, devemos esperar que nossos corpos também se desfaçam (Jó 24:19). Mas aquele Santo de Deus, que não conheceu pecado, não viu corrupção. Na lei, foi ordenado de modo rigoroso que as partes dos sacrifícios que não fossem queimadas sobre o altar não poderiam ser guardadas até o terceiro dia, para que não se estragassem (Levítico 7:15, Levítico 7:18). Isso pode ter apontado para a ressurreição de Cristo ao terceiro dia, de modo que ele não visse corrupção. Nem sequer um osso dele foi quebrado.
Em quarto lugar, ele seria ricamente recompensado por seus sofrimentos, com a alegria que lhe fora proposta (Salmo 16:11). Ele tinha plena certeza de três coisas. Primeiro, não perderia a sua glória: “Tu me farás ver a vereda da vida e me conduzirás à vida por este vale escuro”. Com essa confiança, ao entregar o espírito, disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”, e pouco antes: “Pai, glorifica-me contigo mesmo”.
Segundo, ele seria recebido na presença de Deus, assentado à sua direita. Ser admitido na presença de Deus mostraria que seu serviço havia sido aceito, e ser colocado à direita de Deus seria a recompensa disso. Terceiro, como recompensa das dores que suportou para nos redimir, teria plenitude de alegria e delícias perpetuamente, não só a glória que tinha com Deus, como Deus, antes que o mundo existisse, mas também a alegria e o prazer como Mediador, isto é, como aquele que está entre Deus e os homens, em ver a sua descendência espiritual e o êxito do seu trabalho (Isaías 53:10, Isaías 53:11).
Como Cristo é a cabeça do corpo, que é a igreja, esses versículos podem, em grande parte, ser aplicados também a todos os verdadeiros cristãos, que são guiados e fortalecidos pelo Espírito de Cristo. Ao cantá-los, depois de primeiro darmos glória a Cristo, em quem eles se cumpriram perfeitamente para nosso consolo eterno, podemos então usá-los para encorajar e edificar a nós mesmos e uns aos outros. Com eles podemos aprender:
É nossa sabedoria e nosso dever ter sempre o Senhor diante de nós e vê-lo à nossa mão direita onde quer que estejamos. Devemos olhar para ele como nosso bem supremo e fim último, nosso dono, governante e juiz, bem como nosso provedor gracioso, guia seguro e observador cuidadoso. Fazendo isso, não seremos abalados em nosso dever nem privados do nosso consolo. O apóstolo Paulo pôs o Senhor diante de si quando, embora cadeias e tribulações o esperassem, pôde dizer com ousadia: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra… a carreira” (Atos 20:24).
Se nossos olhos estão sempre voltados para Deus, nossos corações e línguas deveriam estar cheios de alegria nele. Se não estão, a culpa é nossa. Quando o coração se alegra em Deus, a boca deve falar dessa abundância, para glória de Deus e para o bem dos outros.
Crentes que morrem, como Cristo em sua morte, podem pôr de lado o corpo com confiança, esperando uma ressurreição de alegria. “Até a minha carne repousará segura em esperança.” Nossos corpos têm pouco descanso neste mundo, mas no túmulo repousarão como pessoas adormecidas em suas camas (Isaías 57:2). Temos pouco o que esperar desta vida, mas podemos descansar na esperança de uma vida melhor e entregar o corpo com essa esperança. A morte destrói a esperança humana (Jó 14:19), mas não destrói a esperança de um verdadeiro cristão (Provérbios 14:32). Ele tem esperança mesmo na morte, esperança viva em momentos de morrer, esperança de que o corpo não ficará para sempre no túmulo. Embora veja corrupção por um tempo, um dia será ressuscitado para a imortalidade. A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa, se pertencemos a ele.
Os que vivem fielmente com Deus sempre diante de si também podem morrer em paz, com o céu diante dos olhos. Neste mundo, a tristeza é a nossa porção, mas no céu há alegria. Todas as nossas alegrias aqui são incompletas e passageiras. No céu há plenitude de alegria. Os prazeres desta vida passam rapidamente, e não seria adequado que durassem muito. Mas as delícias à direita de Deus duram para sempre, porque são as delícias de almas imortais na visão direta e no gozo do Deus eterno.
Deste capítulo
Salmos 16:1
"Súplica de Davi. Ouve, Senhor, uma causa justa! Atende ao meu clamor! Escuta minha prece, de lábios sem malícia."
Salmos 16:2
"Venha de ti o meu julgamento, e teus olhos reconheçam que sou íntegro."
Salmos 16:3
"Podes sondar meu coração, visitá-lo à noite, prová-lo pelo fogo; não encontrarás iniquidade em mim."
Salmos 16:4
"Minha boca não pecou, como costumam os homens; conforme as palavras dos teus lábios, segui os caminhos da lei."
Salmos 16:5
"Meus passos se mantiveram firmes nas tuas sendas; meus pés não titubearam."
Salmos 16:6
"Eu te invoco, pois me atenderás, Senhor; inclina teus ouvidos para mim, escuta minha voz."
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