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Salmos 50:16 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Deus, ó Deus, meu salvador, livra-me da pena desse sangue derramado, e a minha língua exaltará a tua misericórdia. "

Salmos 50:16

menu_book Versículo no contexto

14 Restitui-me a alegria da salvação e sustenta-me com uma vontade generosa.

15 Então, ensinarei aos maus os teus caminhos, e os pecadores voltarão a ti.

16 Deus, ó Deus, meu salvador, livra-me da pena desse sangue derramado, e a minha língua exaltará a tua misericórdia.

17 Senhor, abre os meus lábios, a fim de que a minha boca anuncie os teus louvores.

18 Tu não te aplacas com sacrifícios rituais; e, se eu te ofertasse um sacrifício, não o aceitarias.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Deus, por meio do salmista, já havia ensinado ao seu povo o modo correto de adorá‑lo e de manter comunhão com ele. Agora ele se volta para os ímpios, para os hipócritas, quer se apresentassem como judeus, quer como cristãos. A hipocrisia é uma forma de impiedade que Deus certamente julgará.

Em primeiro lugar, vemos a acusação contra eles. São acusados de tomar para si a honra e os privilégios da religião: “Que fazes tu em recitar os meus estatutos?” É um desafio aos que são verdadeiramente ímpios, mas aparentam piedade. Que mostrem, então, com que direito usam o nome da religião, quando fazem isso apenas para encobrir o mal que trazem no coração e na vida. Se puderem, que provem a legitimidade de sua pretensão.

Alguns entendem isso como uma profecia a respeito dos escribas e fariseus, mestres e líderes da comunidade judaica no tempo em que o reino de Cristo e o modo evangélico de adorar seriam estabelecidos. Eles se opuseram fortemente a essa grande mudança e usaram a autoridade de que gozavam na “cadeira de Moisés” para tentar impedir o avanço do evangelho. Mas as palavras de nosso Senhor sobre eles (Mateus 23) e as de Paulo em (Romanos 2:21‑22) se encaixam muito bem nessa repreensão. Eles se apresentavam como intérpretes da lei de Deus, mas detestavam o ensinamento de Cristo. Que direito tinham, então, de ensinar a lei se rejeitavam o evangelho?

Contudo, isso se aplica a todos os que vivem na prática do pecado enquanto professam piedade, especialmente se, além disso, a pregam. É absurdo, e uma grande afronta ao Deus do céu, que pessoas ímpias recitem seus estatutos e falem da sua aliança. É algo muito possível, e tristemente comum, que aqueles que ensinam os estatutos de Deus a outros sejam eles mesmos desobedientes, e que os que falam da aliança de Deus mantenham, em segredo, uma aliança com o pecado e com a morte. Eles são usurpadores, tomando para si uma honra que não lhes pertence, e um dia serão lançados fora como intrusos. “Amigo, como entraste aqui?”

Eles também são acusados de violar as leis e mandamentos da religião. Primeiro, demonstram desprezo aberto pela Palavra de Deus: “Aborreces a correção.” Gostavam de dar instruções e dizer aos outros o que fazer, porque isso alimentava o orgulho e lhes dava aparência de importância. Também contribuía para o seu sustento. Mas odiavam receber instrução do próprio Deus, pois isso os corrigiria e humilharia. Odiavam a disciplina, as repreensões da Palavra de Deus e os avisos de sua providência. Não é de admirar que os que não querem ser corrigidos também odeiem os meios de correção. “Lanças fora as minhas palavras.” Pareciam colocar a Palavra de Deus diante de si quando se assentavam na cadeira de Moisés e ensinavam os outros a partir da lei (Romanos 2:19). Mas, na vida diária, lançavam essa mesma Palavra para trás das costas e ignoravam a regra que estavam decididos a não seguir. Isso equivale a desprezar o mandamento do Senhor.

Em segundo lugar, mantinham íntima amizade com os piores pecadores. “Quando vês um ladrão”, em vez de o repreender e testificar contra ele, como convém a quem declara os estatutos de Deus, “consentes com ele.” Aprovavas o que ele fazia, desejavas participar de seus lucros e te tornavas cúmplice de seu negócio maldito. “E tens a tua parte com adúlteros.” Praticavas as mesmas coisas que eles, e ainda os estimulavas a permanecer em seu pecado, tendo prazer naqueles que fazem o mal (Romanos 1:32).

Em terceiro lugar, permaneciam firmes nos piores pecados da língua. “Soltas a boca para o mal”, isto é, te entregas inteiramente a todo tipo de discurso perverso. Havia a mentira: “A tua língua compõe enganos.” Isso sugere planejamento cuidadoso e falsidade deliberada. Uma mentira puxa outra, e uma fraude frequentemente exige outra para tentar encobri‑la.

Havia também a calúnia: “Assentas‑te a falar contra teu irmão.” Tratavas mal o teu irmão, o deturpavas e o julgavas como se fosses seu senhor e ele tivesse de prestar contas a ti. Mas ele é teu irmão, tão digno quanto tu, pois é “filho de tua mãe”. É um parente próximo a quem deverias amar, defender e elogiar quando fosse atacado. Mesmo que ele tivesse realmente cometido algum erro, tu o acusavas de forma falsa e injusta. Assentavas‑te como um juiz no tribunal, com aparência de autoridade. Assentavas‑te “na roda dos escarnecedores”, zombando e falando mal daqueles a quem deverias honrar e tratar com bondade. Os que fazem o mal muitas vezes se deleitam em falar mal dos outros.

Em seguida vem a prova da acusação: “Estas coisas tens feito.” Os fatos são claros demais para serem negados, e o pecado é grande demais para ser desculpado. Deus os conhece, e o próprio coração do pecador também. Os pecados serão provados contra os pecadores, sem possibilidade de contestação, no juízo do grande dia. “Eu te argüirei”, ou seja, Deus mostrará claramente onde está a culpa, de modo que não haverá nada a dizer em defesa própria. Há de chegar um dia em que os pecadores impenitentes ficarão totalmente calados e sem resposta. Que vergonha os invadirá quando Deus colocar seus pecados diante dos seus olhos!

Eles não quiseram olhar para seus pecados com humilde tristeza. Lançaram‑nos para trás das costas, tentaram encobri‑los e esquecê‑los. Não permitiram que a consciência os lembrasse deles. Mas virá o dia em que Deus os obrigará a encarar os seus pecados, para sua perpétua vergonha e terror. Ele os disporá em ordem, um após o outro, como testemunhas convocadas contra um réu. Incluirá o pecado original, os pecados em atos, os pecados contra a lei, os pecados contra o evangelho, os pecados contra a primeira tábua da lei e os pecados contra a segunda. Trará à luz os pecados da infância, da juventude, da idade adulta e da velhice.

Por fim, vemos a paciência do Juiz e o abuso que o pecador faz dessa paciência. “Estive calado”, diz Deus. Ele não os perturbou imediatamente em seu caminho de pecado, mas os deixou seguir adiante. A sentença pelos seus atos malignos foi adiada e não executada de imediato. A paciência de Deus é muito grande para com os pecadores que continuam a provocá‑lo. Ele vê seus pecados e os detesta. Não lhe custaria nada puni‑los, mas ele espera para lhes mostrar graça e lhes dá tempo para se arrependerem. Dessa forma, se não se arrependerem, ficarão sem desculpa.

A paciência de Deus é ainda mais admirável porque os pecadores a usam de modo perverso. Pensam: “Tu és como nós, fraco e esquecido, infiel à tua palavra, até mesmo conivente com o pecado.” As pessoas tomam o silêncio de Deus como aprovação e sua paciência como permissão. Assim, quanto mais ele retarda o juízo, mais endurecido se torna o coração delas. Mas, se não se voltarem para trás, um dia perceberão o seu engano, quando já for tarde demais, e aprenderão que o Deus a quem ofenderam é justo, santo e terrível, e totalmente diferente deles.

Essa é a advertência clara dirigida aos hipócritas em (Salmo 50:22): “Considerai nisto, vós que vos esquecestes de Deus.” Que levem a sério o fato de que Deus conhece todos os seus pecados e mantém registro deles. Ele os chamará a prestar contas. A paciência abusada se converterá em ira ainda maior. Mesmo que esqueçam de Deus e de seu dever para com ele, Deus não se esquecerá deles nem das suas rebeliões. Que pensem nisso enquanto ainda há tempo, antes que seja tarde demais. Se essas coisas não forem consideradas e levadas a sério, ele os despedaçará, e não haverá quem os livre.

Esse é o destino dos hipócritas: serem “cortados em pedaços” (Mateus 24:51). O esquecimento de Deus está na raiz de toda impiedade. Quem conhece a Deus e, mesmo assim, não o obedece, na prática já o esqueceu. Os que se esquecem de Deus também se esquecem de si mesmos, e nada estará em ordem com eles até que passem a refletir seriamente e recobrem o juízo. Pensar profundamente é o primeiro passo em direção ao retorno a Deus. Os que não dão ouvidos às advertências da Palavra de Deus certamente serão despedaçados pelos juízos de sua ira. Quando Deus vier para despedaçar os pecadores, ninguém poderá livrá‑los. Eles não poderão salvar a si mesmos, e nenhum amigo neste mundo poderá salvá‑los.

Nosso principal propósito, junto com tudo mais, é desfrutar de Deus. Aqui somos informados de que aqueles que ordenam o seu caminho corretamente verão a sua salvação. Não basta oferecer louvor com os lábios; é necessário também ordenar a própria conduta de maneira correta. A ação de graças é boa, mas uma vida cheia de gratidão é melhor.

Se queremos que a nossa conduta seja correta, precisamos ter cuidado e empenho em alinhá-la pela regra de Deus, compreender o nosso caminho e direcioná-lo bem. Aqueles que se importam com a própria conduta confirmam a realidade de sua salvação. Deus lhes fará ver a sua salvação, porque é uma salvação pronta para ser revelada. Ele os fará vê-la e desfrutá-la, contemplá-la e saber que são felizes para sempre nela.

O reto ordenamento da vida é o único caminho, e o caminho seguro, para alcançar essa grande salvação.

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